Bósnia lembra os 20 anos da guerra e do cerco a Sarajevo

Eventos homenageiam vítimas da guerra, em especial os 11.541 mortos no cerco de Sarajevo

EFE |

A Bósnia lembra nesta sexta-feira o 20º aniversário do início da guerra (1992-1995) com uma série de manifestações culturais e exposições para recordar as vítimas, as devastações e o assédio a Sarajevo.

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Reuters
Cartaz com número 11.541 simboliza o número de mortos no conflito da Bósnia

O ato principal, denominado "A linha vermelha de Sarajevo", lembrará as 11.541 vítimas mortas no cerco a Sarajevo por parte das tropas servo-bósnias, que durou três anos e meio. No cenário do evento, ao longo de 800 metros da rua principal de Sarajevo estarão 11.541 assentos vermelhos - um para cada vida perdida - em 825 fileiras.

O evento, promovido pelo diretor de teatro Haris Pasovic, foi organizado pelas autoridades locais e um grupo de artistas. Segundo dados do Centro de Pesquisas e Documentação bósnio, entre os mortos no cerco a Sarajevo 643 eram crianças.

Para relembrar a guerra, será inaugurada nesta sexta-feira uma exposição do repórter fotográfico Fehim Demir. As fotografias, inquietantes e comoventes, mostram a crianças na guerra, pessoas feridas, destruições, prantos e funerais, e algumas também retratam soldados da força multinacional de paz UNPROFOR com coletes à prova de balas.

Já foi aberta no Museu histórico da Bósnia a exposição "Um longo caminho. Bósnia, a vergonha da Europa", do espanhol Miguel Ruiz, que fotografou a guerra. A mostra, dedicada às vítimas e aos refugiados de todos os conflitos do mundo, foi organizada pelo Museu histórico bósnio com a ajuda da Catalunha (Espanha).

Por causa do aniversário, se reunirão nesta sexta-feira centenas de jornalistas de todo o mundo que cobriram a guerra da Bósnia, entre 1992 a 1995. A reunião é uma iniciativa do repórter francês Remy Ourdan e do Festival MESS (Festival internacional de teatro de Sarajevo), apoiada por outros jornalistas. O assédio a Sarajevo é considerado o mais longo da história do século 20.

As tropas servo-bósnias dispararam milhares de projéteis contra a cidade desde as colinas próximas, enquanto francoatiradores aterrorizaram a população civil. Na guerra bósnia morreram mais de 98 mil pessoas, e pela primeira vez foi realizada a limpeza étnica e o genocídio na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Cerca de um milhão de habitantes dos mais de quatro que a Bósnia tinha antes da guerra abandonaram seus lares.

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