Boris Johnson, o inexperiente conservador que conquistou Londres

Judith Mora Londres, 2 mai (EFE).- O conservador Boris Johnson, eleito hoje prefeito de Londres, protagonizou uma das ascensões mais meteóricas da política britânica, ao passar em poucos anos da direção de uma pequena revista ao comando de uma das capitais mais importantes do mundo.

EFE |

Deputado por Henley (sudeste inglês) desde 2001, teve uma breve passagem pela primeira linha da política nacional ao ser porta-voz de Educação Superior do Partido Conservador de dezembro de 2005 a julho de 2007, antes de ser escolhido candidato à Prefeitura.

Anteriormente, teve de deixar outros dois cargos do partido - porta-voz de Cultura e vice-presidente dos "tories" - por mentir ao então líder, Michael Howard, sobre uma aventura fora do casamento com uma jornalista de sua revista, "The Spectator".

Apesar de sua limitada experiência política, Boris Johnson, conhecido por sua lábia e por suas inconveniências, conquistou a Prefeitura da capital, um dos troféus políticos mais cobiçados do país.

Nascido em Nova York, em 1964, mudou-se para Londres quando tinha cinco anos, estudou em Oxford e trabalhou em alguns dos grandes jornais britânicos, antes de assumir a revista "The Spectator".

Mesmo reconhecendo seu carisma, os críticos duvidavam de sua capacidade de comandar uma cidade da importância de Londres e, além disso, ele "ganhou" a inimizade das minorias étnicas do país graças a seus comentários nada políticos.

Sua tendência aos deslizes ficou evidenciada durante a campanha eleitoral, quando prometeu com estardalhaço recuperar os velhos ônibus de dois andares e sem portas, aposentados por Ken Livingstone por ser inseguros, para depois se retratar e admitir que isso sairia caro demais.

Na direção da "Spectator", autorizou opiniões racistas, como a de que os negros têm um coeficiente intelectual menor, e teve de se desculpar a Papua Guiné por associar os moradores da ilha ao canibalismo.

Como colunista do jornal "The Daily Telegraph" descreveu em termos pouco elogiosos as crianças africanas que recebiam os líderes britânicos nas ex-colônias.

Para se redimir com as minorias, durante a campanha eleitoral Johnson lançou mão de seus antepassados turcos: seu bisavô foi um jornalista chamado Ali Kemal que serviu no Governo de Ahmed Tevfik Pasha, grande vizir do império otomano.

Seus avôs chegaram à Inglaterra em 1909 e se estabeleceram no bairro londrino de Wimbledon, para, depois da Primeira Guerra Mundial, obter a cidadania britânica.

Após passar por Eton, a escola onde a realeza é educada, estudou no prestigioso Balliol College da Universidade de Oxford, onde chegou a presidir a associação de estudantes.

Como repórter, chegou a ser demitido do jornal "The Times" e depois foi correspondente em Bruxelas da publicação "The Daily Telegraph", de onde passou, em 1999, à revista "The Spectator" como colunista e depois diretor. EFE jm/mh

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