Bombeiros contêm incêndio em Atenas em meio a críticas ao Governo

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 25 ago (EFE).- Ao mesmo tempo em que os bombeiros gregos quase conseguiram controlar o enorme incêndio que chegou às portas de Atenas, crescem as críticas ao Governo por sua falta de prevenção e pelos erros na coordenação para apagar as chamas.

EFE |

"O incêndio arde sob certo controle e não está em desenvolvimento", explicou à Agência Efe o porta-voz dos bombeiros, Giannis Kapakis, em relação a um dos focos que ameaçava a cidade a partir do noroeste e onde se mantém ainda um grande cuidado para que não se reavive.

A imensa frente de fogo que se aproximou da capital, de uma força desconhecida em duas décadas, e que consumiu mais de 20 mil hectares e 150 casas deixou, em sua passagem, uma paisagem devastadora.

Só o esforço de centenas de bombeiros e soldados, apoiados por dezenas de meios aéreos, conseguiu que o fogo retrocedesse, após cinco dias de luta.

O fogo segue ativo também perto da localidade litorânea do Porto Germeno, ao noroeste de Atenas, e a pouca distância de povoações na ilha de Eubea, ao leste da capital.

Porém, enquanto as chamas são controladas, as críticas à atuação do Governo aumentam, tanto a partir da oposição política como de grupos ambientalistas.

"Este incêndio não era parte do destino, poderia ter sido evitado se o que ocorreu em 2007 tivesse servido de lição", afirmou Giorgios Papandreu, o líder da maior legenda de oposição, o Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok).

Em 2007, uma onda de incêndios no Peloponeso matou 65 pessoas, e só no mês de agosto 180 mil hectares foram consumidos pelo fogo.

O líder socialista, cujas críticas tinham sido muito moderadas, até agora, pediu "tolerância zero" à construção ilegal, que estaria por trás de alguns incêndios.

Um especialista em geologia da Universidade de Atenas decretou que a Grécia está "à beira da desertificação", ao falar da ação do fogo, enquanto as organizações ambientalistas lamentaram a falta de meios e a negligência nos trabalhos de capinação para manter limpas as barreiras contra incêndio.

O Greenpeace denunciou "uma falta de vontade política" na luta contra o fogo, como demonstra o fato de 3 mil postos de bombeiros terem sido deixado vagos na temporada de verão (hemisfério norte).

Outras organizações lembram que a Grécia é um dos países que mais gastam proporcionalmente na Europa com as Forças Armadas, enquanto o investimento em meios de combate a incêndios é mínimo.

A Grécia segue mantendo a mesma frota de 21 aviões-tanque que tinha em 2007, sem ter reforçado essa área.

O Governo grego rebateu as críticas e despejou nos bombeiros a responsabilidade de conter as chamas.

O porta-voz do Executivo conservador grego, Evangelos Antonaros, assegurou que o aparelho estatal esteve bem organizado desde o começo e se "mobilizaram todas as forças" para extinguir os incêndios. Ele acrescentou que "a prioridade foi evitar a perda de vidas".

Apesar dessas palavras, um porta-voz da Associação de Bombeiros denunciou que "nas primeiras horas do incêndio no nordeste de Atenas, no sábado, o Governo não levou a sério o combate contra o fogo".

Os meios de comunicação gregos denunciaram as precárias condições nas quais os bombeiros tiveram que desempenhar seu trabalho, sem treinamento e sem material adequado, com hidrantes secos e caminhões parados por falta de combustível.

"Estivemos cinco dias combatendo o fogo e não tínhamos nem água para beber. Fizemos o que pudemos com grande sacrifício, não somos deuses", explicou resignado um bombeiro a um canal de televisão. EFE ll/db

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