Por Telly Nathalia e Olivia Rondonuwu JACARTA (Reuters) - Bombas explodiram em hotéis de luxo no coração da capital da Indonésia na sexta-feira, matando oito pessoas e ferindo dezenas em ataques que, segundo o presidente do país, abalam a confiança na maior economia do sudeste asiático.

Os agressores atacaram o JW Marriott, cena da explosão de um carro-bomba em 2003, e o Ritz-Carlton, ambos populares entre os empresários estrangeiros que visitam o país e, até então, considerados dois dos mais seguros de Jacarta.

Segundo a polícia, dois homens-bomba causaram as explosões.

Visivelmente irritado, o presidente Susilo Bambang Yudhoyono, reeleito neste ano com o mote de ter melhorado a segurança e tornado a economia mais saudável, disse em entrevista coletiva que o ataque foi o ato de um grupo terrorista que pretende prejudicar o país.

"Tenho certeza que a maioria de nós está profundamente preocupada, lamentando muito e chorando em silêncio, assim como estou me sentindo", disse, acrescentando que as pessoas que realizaram os atentados estão "rindo e comemorando com raiva e ódio".

"Eles não têm um senso de humanidade e não se importam com a destruição do nosso país, porque esse ato de terror terá um grande impacto em nossa economia, nosso clima de negócios, nosso turismo, nossa imagem no exterior."

Inicialmente, a polícia informou que nove pessoas haviam morrido, mas mais tarde reduziu o número para oito. Eles também esclareceram que uma explosão numa estrada ao norte da capital, que originalmente se pensava ser consequência de um carro-bomba, foi na verdade resultado do curto-circuito em um veículo.

Ainda não está claro como os agressores conseguiram passar por uma das seguranças mais rígidas da Indonésia, mas a polícia disse que um terceiro dispositivo foi encontrado e desarmado. Ele estava numa mala geralmente usada para carregar laptops no 18o andar do Marriott, o que gerou especulações de que teria entrado no hotel por meio de um hóspede pagante.

A emissora indonésia TVOne mostrou imagens do circuito fechado de TV que mostram o suspeito de ser o homem-bomba que atacou o Ritz-Carlton. Ele usava um boné e carregava uma mala com rodinhas pelo saguão do hotel.

Os mercados indonésios registraram perdas após as explosões, com a moeda local, a rúpia indonésia perdendo um por cento antes dos bancos estatais entrarem sistema para apoiar o mercado. O índice de ações do país chegou a cair 2,7 por cento antes de recuperar-se e fechar em baixa de 0,6 por cento.

Os ataques, aparentemente coordenados, são os primeiros em anos e vêm depois de um período em que o governo teve sucesso em lidar com as ameaças à segurança feitas por grupos de militantes islâmicos, o que gerou uma sensação de estabilidade política.

As suspeitas pesam sobre o Jemaah Islamiah, grupo militante acusado pelo ataque anterior ao Marriott, assim como do ataque a bomba na ilha de Bali, em 2002, que matou 202 pessoas.

O grupo, que tem como objetivo a criação de um Estado islâmico em partes do sudeste da Ásia, é apontado como responsável por uma série de ataques em 2005, mas desde então muitos de seus integrantes foram presos.

Segundo a polícia, entre as vítimas do ataque estão cidadãos da Indonésia, dos Estados Unidos, da Austrália, da Coreia do Sul, da Holanda, da Itália, da Grã-Bretanha, do Canadá, da Noruega, do Japão e da Índia.

(Reportagem adicional de Michael Perry em Sydney, Harry Suhartono em Cingapura)

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