Bombardeios israelenses matam três palestinos em Gaza

Ataque foi lançado no norte de território palestino após Hamas ter disparado dois foguetes contra Israel

iG São Paulo |

Bombardeios israelenses mataram três palestinos no norte da Faixa de Gaza neste domingo, afirmaram equipes médicas e testemunhas, em um novo dia de enfrentamentos armados esporádicos na fronteira entre Israel e o território palestino e após militantes do Hamas terem disparado foguetes através da fronteira.

AFP
Parentes se despendem de agricultor de 91 anos morto em bombardeio de Israel no norte da Faixa de Gaza
Forças de segurança do Hamas e fontes médicas afirmaram que os três palestinos mortos eram civis, incluindo um agricultor e seu filho, de Beit Hanoun, perto da fronteira entre Israel e Gaza. Três outros palestinos ficaram feridos, disseram as fontes.

O bombardeio seguiu-se ao disparo de dois foguetes por militantes do Hamas na Faixa de Gaza. Em Israel, ninguém ficou ferido.

Os enfrentamentos armados na fronteira entre Gaza e Israel se intensificaram nos últimos dias, com repetidos lançamentos de foguetes e bombas por parte das milícias palestinas e de bombardeios da Força Aérea israelense.

Negociações de paz

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, ignorou um comentário feito pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama durante um discurso público neste domingo.

Falando a repórteres, Netanyahu não quis falar da sugestão de Obama de que Israel mantivesse uma moratória sobre novas construções em áreas que os palestinos querem que sejam parte de seu estado independente. Uma moratória de dez meses sobre a construção de novas casas imposta por Netanyahu na Cisjordânia vence no dia 30 de setembro.

Em vez de abordar o pedido de Obama, o premiê preferiu se concentrar em uma exigência primordial de que Israel seja reconhecida pelos palestinos como o Estado do povo judaico em qualquer acordo de paz. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, que rejeitou o pedido de Netanyahu, já ameaçou sair das negociações com Israel se o país continuar com as construções na Cisjordânia.

"Faz sentido estender a moratória enquanto as negociações continuam de maneira construtiva," disse Obama numa coletiva de imprensa na Casa Branca na qual ele mencionou os "enormes obstáculos" que as negociações enfrentam.

Netanyahu, que lidera a coalizão de governo, dominada por partidos que defendem a construção nas áreas em disputa, não deu sinais de que vai estender a moratória. Ele vai se encontrar com Abbas na terça-feira no Egito para outra rodada de negociações de paz em que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também estará presente.

Alguns ministros sugeriram a possibilidade de uma moratória informal na qual o ministro da defesa Ehud Barak poderia impedir a aprovação de alguns projetos em áreas com populações judaicas na Cisjordânia, área capturada na guerra de 1967 e que continua sob administração militar.

Mas em seus comentários na reunião semanal dos ministros em Israel, Netanyahu voltou-se para o tema do reconhecimento do estado judaico, ponto central de sua ideia de um acordo de paz. "Infelizmente ainda não ouvi dos palestinos 'dois Estados para dois povos'", disse Netanyahu.

Os palestinos disseram que já reconheceram o Estado de Israel em acordos de paz anteriores. Mas o reconhecimento explícito de Israel como Estado judaico, dizem autoridades palestinas, poderia impedir que refugiados palestinos que fugiram dos confrontos entre árabes e israelenses voltem a suas casas no que hoje é Israel.

Netanyahu também disse acreditar que Israel e palestinos podem chegar a uma base para um acordo em 12 meses, prazo proposto por Washington. Mas ele acrescentou que para atingir esse objetivo as negociações teriam de ser ininterruptas, "indiferentemente de qualquer obstáculo que aparecer dos dois lados."

*Com Reuters e EFE

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