Bombardeios dos EUA no Afeganistão: o exército cometeu erros (autoridades)

Uma investigação do Exército americano sobre bombardeios que mataram dezenas de civis no começo de maio no Afeganistão concluiu que foram cometidos erros significativos, destacou o jornal The New York Times nesta quarta-feira.

AFP |

A investigação mostra que os militares envolvidos nos ataques de 4 de maio na província de Farah, oeste do Afeganistão, não respeitaram as regras e procedimentos destinados a evitar vítimas civis, indicaram à AFP duas autoridades que solicitaram o anonimato.

Esses ataques mataram 140 civis, segundo o governo afegão, e 97, segundo a Comissão Afegã Independente de Direitos Humanos (AIHRC).

Após uma investigação, o Exército americano "estimou" ter matado "20 ou 30 civis" e de 60 a 65 insurgentes.

Bombas de 900 quilos --talvez potentes demais pela proximidade dos civis-- foram utilizadas durante os bombardeios, disse uma dessas autoridades.

A investigação foi iniciada a pedido do general David Petraeus, comandante das forças americanas na região, que queria ter "uma visão externa" sobre o que ocorreu no início de maio no distrito de Bala Buluk, acrescentou a autoridade.

Essas conclusões, apresentadas em um primeiro momento pelo New York Times, serão transmitidas em breve ao secretário de Defesa Robert Gates e divulgadas na próxima semana, indicaram as autoridades.

Esse relatório é o mais claro reconhecimento americano de um erro relativo a esses ataques, no momento em que as mortes de civis --provocadas com frequência pelos ataques aéreos americanos-- suscitam crescente indignação no Afeganistão e provocam atritos com o governo de Cabul.

O presidente afegão Hamid Karzai pediu no início de maio o fim dos ataques aéreos americanos em seu país, após os bombardeios de 4 de maio.

Consultada pelo New York Times, uma autoridade militar americana afirmou que o número de vítimas civis sem dúvida teria sido menor se as equipes aéreas americanas e as forças terrestres tivessem seguido as regras rígidas destinadas a evitar vítimas civis.

"Se essas regras tivessem sido respeitadas, pelo menos uma parte dos ataques aéreos efetuados contra uma meia dúzia de alvos durante sete horas teria sido cancelada", indicou o jornal.

O próximo comandante das forças americanas e aliadas no Afeganistão, general Stanley McChrystal, prometeu na terça-feira fazer o máximo para poupar os civis durante os combates contra os talibãs.

O general McChrystal, designado no mês passado pelo presidente Barack Obama para substituir o general David McKiernan, deve ainda ter a sua nomeação aprovada pelo Senado.

bur-ddl/dm

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