Bombardeio no Afeganistão mata ao menos 50 e motiva investigação

Cabul, 4 set (EFE).- Um bombardeio da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) matou hoje (quinta-feira no Brasil) pelo menos 50 insurgentes no norte do Afeganistão.

EFE |

Como a população local denunciou que ataque matou civis, o episódio será investigado.

A ação ocorreu na província de Kunduz, enquanto talibãs distribuíam a aldeões o combustível de dois caminhões-pipa que tinham roubado horas antes, disse à Agência Efe o governador da região, Mohammad Omar.

Em um primeiro momento, o governador anunciou a morte de 45 civis e 45 rebeldes. Mas, horas depois, rebaixou o total de vítimas fatais para entre 50 e 60, a maioria das quais seriam rebeldes.

Durante uma entrevista coletiva, o chefe de Polícia da província, Razaq Yaqubi, disse que o bombardeio matou 56 insurgentes, feriu outros 13 e fez vítimas entre civis.

O balanço das autoridades regionais se aproxima do divulgado pelo Ministério da Defesa da Alemanha, cujas tropas estão presentes em Kunduz e que comunicou a morte de pelo menos 50 talibãs, embora tenha descartado o registro de vítimas civis.

"Não vamos especular sobre o número de mortos. Atualmente, estamos investigando as informações sobre civis mortos no ataque.

Entendemos que essas cobranças são muito sérias", disse à Agência Efe uma porta-voz da Isaf no Afeganistão.

A versão alemã, porém, é diferente da de várias testemunhas citadas pela agência de notícias afegã "AIP", que denunciaram a morte de dezenas de pessoas, entre elas mulheres e crianças.

O escritório presidencial afegão emitiu um comunicado assegurando que o presidente Hamid Karzai estava "entristecido" com notícia e nomeou uma equipe para ir à área investigar os fatos, "que deixaram cerca de 90 pessoas mortas ou feridas".

Na madrigada de hoje, os roubaram dois caminhões numa falsa blitz na estrada que une as províncias de Kunduz e Baghlan. Depois, eles tentaram levar os veículos para o distrito de Charsadah, disse à "Aip" o porta-voz talibã Zabiullah Mujahid.

Porém, os caminhões ficaram atolados em um banco de areia, em campo aberto, quando os seqüestradores tentavam atravessar um rio na região. Por causa desse contratempo, os insurgentes permitiram que os civis tirasse o combustível dos caminhões.

Embora situada no norte do Afeganistão e longe das principais bases dos rebeldes - no sul e no leste -, Kunduz tem vários redutos de população pashtun, a etnia da qual tradicionalmente provêm os talibãs.

Segundo o porta-voz dos rebeldes, que denunciou a morte de 120 civis, os talibãs avisaram aos aldeões que poderia haver um bombardeio assim que detectarem a presença de um avião de reconhecimento das tropas internacionais na área.

A morte de civis em ações das tropas americanas e da Isaf é um dos maiores pontos de atrito entre o comando militar internacional e as autoridades do Afeganistão, que as consideram inaceitáveis.

Diante das críticas e manifestações sobre o conflito afegão, o chefe das tropas internacionais no país, general Stanley McChrystal, havia acenado nesta semana com a possibilidade de revisar a forma de atuação no Afeganistão e dar prioridade à segurança da população civil.

McChrystal, que já vinha insistido na redução das vítimas civis em bombardeios, entregou nesta segunda-feira a seus superiores da Otan e do comando conjunto central dos EUA um documento de avaliação estratégica para fazer frente à séria situação no país.

O posicionamento das tropas internacionais no Afeganistão começou em 2001. Primeiramente, elas foram divididas entre a missão da Otan (Isaf) e a Operação "Liberdade Duradoura". Nos últimos dois anos, porém, os talibãs conseguiram se reorganizar e estabelecer amplas frentes no país.

Nos seis primeiros meses de 2009, 1.013 civis morreram em decorrência do conflito, número 24% maior que o registrado na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme dados da missão da ONU no país (Unama).

"O povo afegão deve saber que estamos aqui para dar proteção a eles e que vamos investigar o incidente", afirmou hoje em Bruxelas, após o bombardeio, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, que afirmou não estar claro que haja civis entre as vítimas. EFE lo/dm/sc

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