Bombardeio mata líder do Taleban no Paquistão

PESHAWAR - Um ataque aéreo, supostamente do Exército americano, causou a morte de 20 pessoas no noroeste do Paquistão, entre elas um líder local do Taleban, segundo testemunhas e a autoridades

Redação com agências internacionais |

Mohammad Omar, que lutou com o Taleban no fim dos anos 90, estava entre os mortos quando o míssil, que teria sido lançado por um avião americano não tripulado, atingiu sua casa no sul do Waziristão.

Mohammad Omar, que lutou no Afeganistão, era um aliado próximo do comandante Talebã Nek Mohammed, morto em um suposto ataque americano na mesma área, quatro anos atrás. 

Outros ataques realizados por aviões do mesmo tipo que também seriam dos EUA já mataram dezenas de pessoas do lado paquistanês da fronteira com o Afeganistão, desde o início de setembro.

"Dois mísseis foram disparados, eles atingiram duas casas em Shakai e até 20 militantes foram mortos", disse um agente de inteligência do Paquistão, referindo-se à região no Waziristão do Sul que serve de reduto para o líder do Taleban no Paquistão Baitullah Mehsud.

O Pentágono disse não ter informações sobre a derrubada do avião teleguiado.

Ofensiva

As forças norte-americanas no Afeganistão, frustradas com os crescentes ataques na fronteira com o Paquistão, aumentaram as ofensivas contra o país, com mísseis e uma operação de comando desde o começo de setembro.

O Paquistão se opõe aos ataques norte-americanos em seu território, dizendo que eles violam sua soberania e aumentam o apoio da população local aos militantes.

Horas antes do ataque, o primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani reiterou a oposição paquistanesa aos ataques norte-americanos, dizendo que eles arruínam os esforços dos governo para isolar os militantes e aumentar o apoio do público a estes esforços.

Mehsud é o mais notório comandante militante do Paquistão, e é acusado de ser responsável por uma série de ataques suicidas no país, incluindo o assassinato da ex-premiê Benazir Bhutto, em dezembro do ano passado.

Ele também apóia os Talebans que combatem as forças lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão.

Tensão

Nesta segunda-feira, o jornal New York Times informa que o Exército americano aumentara os ataques contra os talebans e os extremistas vinculados à rede Al-Qaeda de Osama bin Laden na fronteira Afeganistão-Paquistão depois da posse de um novo governo civil, em março, em Islamabad.

Os incidentes se tornaram tema importante na campanha presidencial nos Estados Unidos.

As relações bilaterais ficaram tensas depois que uma incursão de forças especiais americanas no Paquistão matou 15 civis, incluindo crianças e mulheres, no dia 3 de setembro.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, se comprometeu a implementar uma política de tolerância zero contra as violações à soberania territorial de seu país, o que desatou um sentimento antiamericano no Paquistão.

Porém, os ataques com aviões teleguiados, operados pela CIA, aumentaram nos últimos três meses, o que aumenta as especulações sobre o ataque de domingo.

No entanto, fontes do governo americano alegam que apenas com aviões teleguiados os Estados Unidos não conseguirão debilitar a Al-Qaeda nas áreas tribais do Paquistão, segundo o NYT.

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