O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que o bombardeio de alvos na Faixa de Gaza é apenas a primeira de várias etapas na operação israelense na região, iniciada no sábado. Prédios do governo do território, controlado pelo movimento palestino Hamas, e instalações de segurança, são os principais alvos neste quarto dia de ataque.

Representantes palestinos dizem que dez pessoas morreram nesta terça-feira, elevando para 360 o número de pessoas morreram desde o início da operação.

Forças terrestres israelenses estão se agrupando na fronteira com Gaza, e o governo de Israel declarou "zona militar fechada" em áreas ao redor do território palestino.

De acordo com o governo israelense, a medida foi tomada devido ao risco de ataques palestinos com foguetes contra alvos israelenses na região em retaliação contra a ofensiva em Gaza.

A decisão de fechar a região ao redor da Faixa de Gaza, a convocação de 6,5 mil reservistas e a movimentação de tropas na fronteira são sinais de que uma operação terrestre pode estar sendo preparada por Israel.

Quatro israelenses morreram em ataques de foguetes lançados por militantes da Faixa de Gaza contra o território de Israel - um deles, um soldado - o primeiro militar morto neste conflito.

'Atrocidades'
Um relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos acusou Israel de cometer "atrocidades chocantes".

Richard Falk disse que a comunidade internacional precisa pressionar mais Israel para por fim aos ataques na Faixa de Gaza.

"Israel está cometendo uma série chocante de atrocidades ao usar armamento moderno contra uma população indefesa - atacando uma população que vem enfrentando um bloqueio rigoroso há vários meses", afirmou Falk em uma entrevista à BBC.

Segundo a ONU, pelo menos 62 dos palestinos mortos até agora eram mulheres e crianças. A organização está pedindo uma investigação dos ataques que deixaram tantos mortos e feridos entre civis.

A situação nos hospitais da região foi classificada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha como "caótica", com os grupos de auxílio médico "pressionados ao seu limite".

União Européia
O aumento da violência da região levou a União Européia (UE) a marcar uma reunião dos ministros do Exterior do bloco em Paris às 17h30 GMT (15h30 de Brasília) nesta terça-feira, para estudar a possibilidade de formar um corredor humanitário para levar mais ajuda à população da Faixa de Gaza, estimada em 1,5 milhão.

A reunião será presidida pelo ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner.

Na segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que tanto Israel quanto o Hamas interrompam a violência e tomem todas as medidas necessárias para evitar mortes de civis.

Ban ainda pediu que Israel permita que ajuda humanitária possa cruzar a fronteira com Gaza.

"Um cessar-fogo deve ser declarado imediatamente. As partes também devem conter sua retórica inflamada, só assim o diálogo pode começar."
Mesmo reconhecendo o direito de Israel de se defender do ataque de foguetes palestinos, o secretário-geral da ONU condenou o "uso excessivo de força" por parte do país.

Apoio
O governo dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, apoiou a ofensiva e declarou na segunda-feira que cabe ao Hamas acabar com a violência e se comprometer com uma trégua.

"Os Estados Unidos entendem que Israel precisa tomar atitudes para se defender. Para que a violência pare, o Hamas precisa parar de lançar foguetes contra Israel e concordar em respeitar um cessar-fogo durável", disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe.

Entretanto, foram registrados diversos protestos contra os ataques israelenses em cidades árabes e européias.

Em uma nota divulgada na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil "deplorou" a continuidade dos conflitos em Gaza e chamou a reação do governo israelense na região de "desproporcional", além de pedir que ambas as partes cessem os atos de hostilidade mútua.

"O governo brasileiro deplora a continuidade das ações desproporcionais do governo de Israel na região da Faixa de Gaza, que já causaram, em apenas três dias, a morte de mais de 300 palestinos, muitos dos quais civis e crianças", diz o comunicado.

Ofensiva
A ofensiva militar começou no sábado, uma semana depois do fim de um acordo de cessar-fogo de seis meses com o Hamas.

Israel bombardeou todas as principais cidades da Faixa de Gaza, inclusive a Cidade de Gaza, no norte do território, e Khan Younis e Rafah, no sul.

Mais de 210 alvos foram atingidos nas primeiras 24 horas do que Israel diz que pode ser uma longa operação militar.

Segundo analistas, sábado foi o dia em que foram registradas mais mortes na Faixa de Gaza desde a ocupação israelense do território em 1967, embora não exista uma confirmação independente do número de mortos.

A maioria, contudo, seria formada por policiais a serviço do Hamas, inclusive o chefe da polícia local. Mas relatos indicam que mulheres e crianças também foram mortas.

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