Bomba mata 32 no Iraque enquanto tropas dos EUA saem

Por Tim Cocks e Muhanad Mohammed BAGDÁ (Reuters) - Um carro-bomba na cidade do norte do Iraque Kirkuk matou ao menos 32 pessoas nesta terça-feira, logo após as tropas norte-americanas terem entregado o controle total das cidades iraquianas para as forças de segurança locais, seis anos depois da invasão.

Reuters |

A bomba, que feriu ao menos 100 pessoas, explodiu em um movimentado mercado em uma região de maioria curda de Kirkuk, ao norte do país, uma cidade vista como um local de potencial conflito entre os xiitas e os curdos. A polícia disse que o número de mortos pode aumentar.

A saída dos Estados Unidos de cidades iraquianas é o primeiro passo para uma retirada completa até 2012, acertada em um pacto bilateral de segurança.

Muitos iraquianos temem que o recuo deixe os militantes livres para atacar, mas muitos iraquianos celebraram o que o governo declarou "Dia Nacional da Soberania", mais de seis anos após a invasão que derrubou Saddam Hussein.

Cidadãos e soldados iraquianos foram às ruas de Bagdá em veículos decorados com flores e bandeiras iraquianas para comemorar. Nos muros de concreto que protegem a cidade, mensagens diziam "Iraque: minha nação, minha glória, minha honra".

"Este dia, que consideramos uma celebração nacional, é uma conquista de todos os iraquianos", disse o primeiro-ministro do país, Nuri al-Maliki, em um discurso à televisão.

"Nossa soberania incompleta e a presença de tropas estrangeiras é o mais sério legado que nós herdamos (de Saddam Hussein). Aqueles que pensam que os iraquianos são incapazes de defender seu país estão cometendo um erro fatal."

As comemorações do dia incluíram um desfile na Zona Verde de Bagdá, área de segurança máxima com instalações governamentais e diplomáticas, considerada pelos iraquianos símbolo da presença militar estrangeira até forças locais assumirem o controle da segurança, em janeiro.

Em demonstração do poder militar que o Iraque usará para combater a insurgência no país, milhares de soldados e policiais desfilaram a pé ou em tanques e veículos blindados doados pelos EUA em local usado por forças de Saddam para realizar apresentações.

Autoridades norte-americanas e locais disseram que a retirada de tropas dos EUA mostraram o avanço do país após quase ser dividido pela violência sectária em 2006 e 2007.

Mas um atentado em Kirkuk evidenciou a fragilidade dos ganhos em segurança. O Iraque é menos violento do que foi por anos, mas militantes continuam a realizar ataques frequentes.

Em Washington, o presidente norte-americano, Barack Obama, considerou a retirada como um marco importante mas alertou para a "dificuldade dos dias" adiante.

Parentes daqueles que estavam na área do ataque em Kirku fizeram buscas nos destroços por desaparecidos.

"Eu vim ao mercado para comprar pão e houve uma grande explosão", disse Taseen Azad, de 21 anos, que foi ferido levemente. "Vi pessoas caindo no chão, lojas incendiadas e pessoas mortas. Então, alguém me levou ao hospital".

O Exército norte-americano disse que quatro soldados baseados em Bagdá morreram de ferimentos por combate na segunda-feira.

(Reportagem adicional de Sherko Raouf)

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