Bomba em estrada mata 16 no Afeganistão, incluindo 11 crianças

Além de incidente em Herat, ataque deixa dois mortos em Helmand e partidários de ex-presidente assassinado protestam em Cabul

iG São Paulo |

Um bomba em uma estrada deixou 16 mortos, incluindo 11 crianças, nesta terça-feira na Província de Herat, no oeste do Afeganistão, quando o ônibus em que os civis voltavam de um casamento causou sua explosão ao passar sobre ela, informou uma fonte oficial.

O incidente aconteceu pouco depois do meio-dia no distrito de Shindand e, além dos mortos, também deixou quatro feridos. Como a explosão aconteceu em uma estrada secundária pouco usada, é "provável" que a bomba estivesse "havia muitos anos na via", disse a fonte.

As minas e artefatos explosivos nas estradas se transformaram em uma das principais ameaças à população civil no conflito afegão. Os militantes aumentaram o uso desse tipo de armas em sua luta contra as forças de segurança afegãs e internacionais, o que aumenta o risco para circular pelo país.

Dados da missão da ONU no país indicam que 1,5 mil civis morreram por causa do conflito armado no Afeganistão durante a primeira metade de 2011, 14% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

AP
Policial afegão (E) observa veículo danificado em ataque suicida em Lashkar Gah, na Província de Helmand, Afeganistão
Outro atentado com um carro-bomba matou dois civis perto da sede da polícia de Lashkar Gah, capital da Província de Helmand, reduto da milícia islâmica do Taleban, no sul do Afeganistão.

Segundo o número dois da polícia em Helmand, Kamal-u-Din Shirzai, o objetivo do agressor era atacar uma padaria situada perto da sede policial que se encarregava de fornecer alimentos aos agentes do centro policial. O porta-voz do Taleban Qari Yousef Ahmadi reivindicou responsabilidade pelo ataque.

Lashkar Gah é uma das sete zonas onde a Organização do Tratado do Atlântico Norte transferiu neste ano a responsabilidade da segurança às Forças Armadas e à polícia afegãs, como parte de uma retirada progressiva de todas as tropas até o fim de 2014. Há no país cerca de 130 mil soldados estrangeiros, que já começaram sua retirada do Afeganistão.

Protesto por ex-presidente

Centenas de manifestantes marcharam na capital do Afeganistão nesta terça-feira, prometendo vingança pelo assassinato na semana passada do ex-presidente Burhanuddin Rabbani e acusando a agência de espionagem do Paquistão de envolvimento na morte.

Sob segurança acirrada, o protesto de três horas ocorreu sem violência, mas os manifestantes demonstraram a raiva segurando cartazes com a imagem de Rabbani, que era o principal negociador de paz do país, e gritando "morte ao Paquistão, morte ao Taleban".

Eles culpam a Diretoria de Serviços Internacionais de Inteligência (ISI) pelo envolvimento na morte de Rabbani e a acusam de ter conspirado com o Taleban para desestabilizar o Afeganistão e atrapalhar o processo de paz.

"O ISI e o Taliban estão por trás do assassinato de nossos líderes, incluindo o do professor Rabbani", disse o estudante universitário Ahmad Tameem. "Buscaremos vingança e queremos que nosso governo rompa laços com o Paquistão."

Rabbani foi morto em sua casa em Cabul há uma semana por um homem-bomba que se passou por enviado do Taleban levando uma mensagem de paz da liderança graduada do grupo. A bomba estava escondida no turbante do homem e foi detonada quando ele abraçou Rabbani.

Na segunda-feira, a Diretoria Nacional de Segurança do Afeganistão (NDS) disse que havia prendido uma figura importante no assassinato e sugeriu que a liderança sênior do Taleban, o Quetta Shura, poderia estar envolvida.

A NDS afirmou que recomendaria ao presidente Hamid Karzai durante encontro nesta terça-feira que levasse a investigação além das fronteiras do Afeganistão, onde, segundo a NDS, o assassinato de Rabbani foi planejado.

*Com EFE, AFP e AP

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