Bomba de atentado em NY era rudimentar, diz FBI

Terrorista teria usado material simples e montado artefato de forma amadora, segundo investigação

iG São Paulo |

A tentativa de atentado com um carro-bomba em Nova York foi realizada de modo rudimentar com gasolina, gás propano e fogos de artifício, que não causariam grandes danos mesmo se uma explosão tivesse ocorrido, afirmaram investigadores na noite terça-feira.

O Escritório de Investigação Federal (FBI) divulgou um mapa dos explosivos deixados no Nissan Pathfinder, estacionado pelo paquistanês naturalizado americano Faisal Shahzad na Times Square no último sábado. "Não parece, em nossa opinião, ser um sistema sofisticado", afirmou o diretor-assistente do FBI, John Pistole, a jornalistas. "A chance de a bomba não funcionar era grande".

Arte/iG
FBI divulga localização dos explosivos no carro estacionado na Times Square
Os principais explosivos - que falharam na hora da detonação - eram compostos por bujões de propano e galões de gasolina, informou Pistole.

Entretando, ele explicou que os fogos de artifício M-88 explodiram. O veículo continha mais de 110 kg de fogos dentro de uma panela de pressão, e outros 40 fogos dentro de uma pequena lata, assim como sacos de fertilizantes.

Mesmo que todo o carro explodisse, "provavelmente não" causaria o tipo de explosão que destruiu um prédio federal em Oklahoma em 1995, matando 168 pessoas, explicou Pistole. A bomba de Oklahoma, utilizada em um atentado perpetrado por Timothy McVeigh, foi construída a partir de fertilizante de nitrato de amônio e combustível.

Pistole afirmou que o FBI levou a maior parte das evidências da Times Square para um laboratório no subúrbio de Quantico, Virgínia, para avaliar o que teria acontecido caso a bomba explodisse.

"Embora esse carro tenha falhado na hora da detonação, essa tentativa foi muito séria" destacou o Procurador-Geral Eric Holder. "Se tivesse sucesso, seria um ataque terrorista letal causando morte e destruição no coração de Nova York", acrescentou.

Suspeito indiciado

Promotores norte-americanos indiciaram Shahzad na terça-feira , acusado de tentar explodir um carro-bomba na Times Square, em Nova York, enquanto autoridades do Paquistão disseram ter prendido vários parentes e um amigo dele.

Faisal Shahzad, nascido na região da Caxemira paquistanesa e naturalizado norte-americano, admitiu ter sido treinado em seu país para produzir bombas, segundo as acusações apresentadas pelos promotores. "Após a prisão, Shahzad admitiu ter tentado detonar a bomba na Times Square. Ele também admitiu que recentemente recebeu treinamento em produção de bombas no Waziristão, no Paquistão", diz a acusação formal.

Uma fonte oficial disse também que o suspeito declarou ter agido sozinho na tentativa de atentado do sábado à noite , numa das regiões mais movimentadas de Nova York. Os investigadores, no entanto, duvidam disso, e querem saber mais sobre sua recente viagem ao Paquistão.

Shahzad, de 30 anos, foi detido na noite de segunda-feira , depois de ser retirado de um voo comercial que o levaria a Dubai. As autoridades dos EUA estão investigando se a empresa Emirates cometeu um erro ao deixar Shahzad embarcar.

Horas depois, vários parentes e um amigo dele foram detidos no Paquistão , segundo uma fonte oficial em Karachi. Uma fonte ligada à investigação disse que não se sabe se o suspeito é ou foi filiado a algum grupo militante, "e como ele se radicalizou".

No Paquistão, uma fonte de inteligência disse que Shahzad recebeu treinamento como militante no noroeste do país, perto da cidade militar de Kohat, reduto de Tariq Afridi, um comandante do Taleban paquistanês.

Mas a bomba que ele tentou detonar não parecia ser resultado de treinamento, pois era um artefato caseiro, misturando gasolina, gás propano, rojões, fertilizante e despertadores.

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