Bolsas operam em forte queda na Europa, seguindo Ásia

Os mercados europeus operam com fortes perdas nesta sexta-feira, seguindo uma seqüência de resultados no vermelho registrados na Ásia. As bolsas abriram com perdas em torno de 10%, mas se recuperaram levemente e, às 10h48 de Londres (6h48 de Brasília), a queda registrada pelo índice FTSE 100 da bolsa de Londres alcançava 6,8%.

BBC Brasil |

Em Paris, o índice CAC 40 caía 7,75% e em Frankfurt, o DAX recuava 8,85%.

As perdas nos mercados europeus acompanham a acentuada queda das bolsas asiáticas. Em Tóquio, a bolsa mais importante da região, o índice Nikkei 225 chegou a cair 11%, terminando negativo em 9,62% aos 8.276,43 pontos, o pior resultado desde o que os japoneses chamam de "Sexta-Feira Negra", em outubro de 1987.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu para abaixo de 15 mil pontos pela primeira vez desde janeiro de 2006. Fechou com queda de 7,19% aos 14.796,87 pontos.

Na Bolsa de Xangai o índice Composite terminou com perdas de 3,57% aos 2.000,57 pontos.

"É uma completa perda de confiança", disse o gerente geral da Fulbright Securities em Hong Kong, Francis Lun.

"Acho que o mercado ainda está procurando pelo fundo do poço, procurando suporte, e o fundo não virá até que os investidores estejam convencidos de que a estabilidade voltou aos mercados financeiros. Nesse momento, na Europa e nos Estados Unidos os mercados financeiros estão em turbulência."

Na Rússia, as negociações na Bolsa de Valores de Moscou foram suspensas indefinidamente, em uma tentativa de conter a volatilidade do mercado.

Setor produtivo

Segundo analistas, as incertezas em relação à extensão da crise financeira para a economia global ainda permanece como fonte de preocupação.

As ações de bancos lideram as perdas, mas papéis de setores produtivos também sofrem.

No mercado americano, as ações da fabricante automotiva GM, uma das 30 que compõe o índice Dow Jones, já vale o mesmo que valia há 58 anos. O papel caiu 31% de seu valor na quinta-feira, fechando cotado a US$ 4,76.

"O importante agora não é o que acontece com as ações, é o que acontece com o crédito, porque, a não ser que o dinheiro circule na economia através dos mercados de crédito, através do sistema bancário, é essencialmente como um ser humano sem o sangue circulando nas veias", disse Gillian Tett, um dos jornalistas que cobriu a crise bancária do Japão nos anos 1990.

"Nossa economia não pode funcionar se o crédito não a mantiver em movimento, e infelizmente, ao longo das semanas passadas, tivemos uma situação em que o crédito coagulou."

Ações

A queda nas bolsas nesta sexta-feira ocorre apesar de tentativas de líderes mundiais de garantir a estabilidade das economias e acalmar os mercados financeiros.

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu a líderes de todo o mundo que atuem para aumentar a liquidez do sistema bancário, e reconstruam a confiança do sistema bancário para reativar os empréstimos entre os bancos.

"Este é um problema global, que requer uma solução global", escreveu Brown em um artigo no jornal The Times.

Ministros das Finanças do G7, o grupo de economias mais industrializadas do mundo, se encontrarão para discutir a crise mundial em Washington no sábado.

Está também previsto um encontro do chamado G20, grupo de formado pelas nações mais ricas do mundo e as principais economias emergentes. Além dos países do G7, o grupo inclui Brasil, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia, Turquia e União Européia.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que a instituição ativou um mecanismo de emergência que disponibiliza imediatamente US$ 200 bilhões para ajudar países seriamente afetados pela crise financeira global.

O mecanismo, criado em 1995, foi usado pela primeira vez durante a crise asiática de 1997, quando Tailândia, Filipinas, Indonésia e Coréia do Sul foram beneficiados.

Para um analista de mercado, ainda tardará até que os mercados respondam às medidas anunciadas pelos líderes e instituições internacionais.

"Claramente, os mercados estão em crise. Não se pode simplesmente jogar uma pílula mágica neles e de repente tudo fica bem", disse o economia Don Smith, da corretora ICAP.

"Eles têm de estar confiantes, e confiança é algo potencialmente frágil que leva muito tempo para restaurar. É preciso tempo."

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