As principais bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira em meio a incertezas sobre a aprovação do plano do governo americano para socorrer o mercado financeiro. As bolsas européias seguiram a tendência de queda, abrindo em baixa nesta terça-feira.

O índice FTSE, da bolsa de Londres, recuava 1,59 % às 9h30 (5h30, hora de Brasília).

Em Paris, o Cac 40 acumulava perdas de 1,37% e em Frankfurt, o índice DAX caía 0,57%.

A tendência negativa na Ásia foi sentida da Austrália à Índia e afetou centros financeiros importantes como Hong Kong e Cingapura.

Em Sydney, o índice de todas as ações ordinárias (AORD) encerrou o pregão em menos 1,83%, enquanto que o Hang Seng de Hong Kong concluiu o dia em menos 3,53%. O SSE Composite de Xangai registrou perdas de 1,56%.

Próximo do fechamento, o Straits Times de Cingapura operava em queda de 2,3%.

Por volta do meio-dia do horário local (3h30 de Brasília), o Sensex de Mumbai marcava 1,39% no negativo.

As bolsas do Japão estão fechadas por causa de um feriado nacional.

Tendência
A tendência negativa na Ásia acompanha o mau desempenho do mercado americano na segunda-feira, quando o índice Dow Jones fechou em baixa de 3,3%, revertendo a alta observada na sexta-feira.

Nos últimos dias o setor financeiro dos Estados Unidos testemunhou grande tumulto e oscilações vertiginosas com a quebra de grandes bancos e reações contraditórias de cautela e euforia entre os investidores.

Na véspera do fim de semana os índices de Nova York subiram em forte escalada, porém, voltaram a tombar na segunda-feira, quando os investidores fugiram das ações e foram se refugiar em commodities, consideradas mais "sólidas" em tempos de incerteza.

Petróleo, ouro e outros metais tiveram grande procura na segunda-feira, que registrou a maior alta no preço do petróleo em um único dia.

O barril com entrega para outubro encerrou o pregão em US$ 120,92, um salto de US$ 16,37 em relação ao valor registrado no fechamento na sexta.

Ansiedade
Agora os mercados aguardam com ansiedade pelos desdobramentos políticos do plano de socorro ao sistema financeiro anunciado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e os líderes do Congresso americano na semana passada.

O pacote de auxílio prevê mais de US$ 700 bilhões ao mercado financeiro.

Entretanto, há muita expectativa sobre se os democratas e republicanos conseguirão entrar em harmonia para aprovar o plano em meio a fortes criticas de que as medidas seriam um "desperdício" do dinheiro dos contribuintes americanos.

A Casa Branca pediu aos congressistas que prontamente aprovem a legislação necessária à efetivação do plano.

O presidente George W. Bush disse que não agir logo teria "largas conseqüências", mas ainda não está claro quanto tempo será necessário para realizar o plano.

Vozes mais alarmistas sugerem que um fracasso em auxiliar o mercado americano resultará no colapso de todo o sistema financeiro mundial.

Líderes de todo mundo aguardam com ansiedade o discurso que o presidente Bush fará nesta terça-feira durante a abertura do encontro da Assembléia Geral da ONU.

Segundo o analista de economia da BBC Andrew Walker, Bush deve abordar a atual turbulência dos mercados diante de "uma audiência internacional muito preocupada com a crise financeira americana".

Ainda nesta terça-feira, o Secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Banco Central Americano, o FED, Ben Bernanke, se apresentarão perante o comitê do Senado que lida com a situação dos bancos para explicar as implicações do plano e discutir soluções para a crise.

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