Bolsas despencam na Ásia e operam em baixa na Europa

Os mercados europeus operam em queda nesta quinta-feira, depois de as bolsas terem despencado na Ásia, em mais uma indicação de que os temores de recessão global acabaram se impondo sobre o otimismo registrado no início da semana. Na Europa, o índice FTSE 100 registrou uma baixa de 3,1%, o Cac 40 da Bolsa de Paris, 3,4% e o Dax, de Frankfurt, 2,2%, no movimento da manhã.

BBC Brasil |

O índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, registrou uma queda de 11,4% no fechamento do pregão - a maior em 20 anos.

O índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, caiu 7,6%; o principal indicador da bolsa da Austrália, 6,7%; e o da Índia, 4%.

Na quarta-feira, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, fechou em uma baixa de quase 8% - a maior em um único dia desde outubro de 1987.

A queda das bolsas já reverteu boa parte dos ganhos registrados no começo da semana, num momento em que temores de uma recessão neutralizaram o otimismo sentido depois que os governos dos Estados Unidos e de vários países europeus anunciaram pacotes de ajuda aos bancos.

O receio de um desaquecimento da economia mundial também levaram a uma redução no preço do petróleo. O barril do petróleo do tipo leve vendido nos Estados Unidos com entrega para novembro chegou a US$ 71,64, sua cotação mais baixa dos últimos 14 meses.

Confiança
A confiança "está se deteriorando muito depressa", disse Jacky Choi, que gerencia fundos de ações na corretora Value Partners.

"As pessoas estão perdendo a cada dia o pouco de confiança que tinham", afirmou.

Podem ter contribuído para essa insegurança sugestões do primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, de que o pacote de socorro aos bancos de US$ 700 bilhões aprovado nos Estados Unidos não é suficiente para debelar a crise.

"Como é insuficiente, o mercado está caindo acentuadamente de novo", disse Aso.

Há ainda sinais de que as injeções de recursos dos bancos centrais ainda não restauraram a confiança no setor bancário.

O analista econômico da BBC Robert Peston, disse que os bancos ainda não estão emprestando dinheiro entre si numa taxa de juros considerada normal em relação aos juros oficiais.

Isto seria preocupante pois significa que os bancos provavelmente não vão realizar empréstimos a taxas mais competitivas para consumidores e empresas.

Depois da divulgação, na quarta-feira, de que o índice de vendas no varejo registrado nos Estados Unidos entre agosto e setembro caiu 1,2%, muitos investidores ficaram convencidos de que a economia americana está realmente a caminho de uma recessão.

Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (banco central americano), advertiu que a economia de seu país enfrenta agora "uma ameaça significativa" com a crise de retração de crédito.

Em discurso em Nova York, Bernanke disse que os Estados Unidos evitaram os erros que ajudaram a lançar o país na Grande Depressão da década de 30.

Ele prometeu que o Federal Reserve vai continuar a combater a crise de crédito, mas advertiu que vai levar tempo para sanear a economia americana.

"A volatilidade dos mercados financeiros e as pressões para capitalizar empresas da área financeira representam uma ameaça significativa ao crescimento econômico", afirmou.

"A última década mostrou que bolhas que estouram podem ser um fenômeno extraordinariamente perigoso e custoso para a economia dos Estados Unidos."

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