A aprovação no Senado dos Estados Unidos do pacote bilionário para ajudar as empresas afetadas pela crise econômica no país não afastou o clima de pessimismo nas principais bolsas de valores americanas, que operam em baixa nesta quinta-feira. Segundo analistas, as quedas refletem não apenas as incertezas quanto aos efeitos do pacote e sua aprovação na Câmara dos Representantes - onde deve ir à votação pela segunda vez ainda nesta semana - como também novos dados preocupantes sobre o estado da economia americana.

Nesta quinta-feira, o Departamento do Trabalho divulgou novos dados sobre os pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, revelando que eles aumentaram na semana passada para o maior nível em sete anos.

Por sua vez, o Departamento do Comércio revelou que as encomendas da indústria americana caíram 4% em agosto, em mais um sinal de desaquecimento da economia.

Trata-se da maior contração nas encomendas desde outubro de 2006 e foi liderada pela diminuição nos pedidos de autopeças pelas montadoras americanas.

Na Ásia, onde as bolsas fecharam antes do início dos pregões nos Estados Unidos, os investidores da bolsa de Hong Kong receberam bem a aprovação do pacote americano e o índice Hang Seng teve alta de 1,08%, mas em Tóquio houve baixa de 1,88%.

Em outras partes do mundo, as principais bolsas de valores foram contaminadas pelo pessimismo no início dos pregões americanos. Em São Paulo, por exemplo, a Bovespa registrou uma forte queda no início da tarde (hora de Brasília).

Europa
Na Europa, as bolsas de Paris, Londres e Frankfurt chegaram a subir no período da manhã, mas caíram depois da abertura dos mercados americanos.

O gabinete do presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que líderes europeus vão se encontrar em Paris no sábado para discutir uma resposta coordenada entre os países à crise.

Oencontro deve contar com a presença dos chefes de Estado da Grã-Bretanha, Gordon Brown, da Alemanha, Angela Merkel, e da Itália, Silvio Berlusconi, além do presidente do Banco Central francês, Jean-Claude Trichet.

Segundo a correspondente da BBC em Paris, Emma-Jane Kirby, a dois dias da reunião, os líderes europeus estão divididos sobre a crise.

A França e a Holanda defendem uma ajuda européia aos bancos atingidos pela crise de crédito, enquanto a Alemanha e Luxemburgo afirma que um plano de resgate não é necessário.

Os líderes europeus negaram boatos sobre a criação de um pacote europeu, estimado em 300 bilhões de euros (US$ 418 bilhões), nos moldes do plano que tramita no Congresso americano.

"Eu nego tanto a quantia quanto o princípio (de um plano)", disse Sarkozy.

Votação nos EUA
Na noite de quarta-feira, o Senado dos Estados Unidos aprovou a versão modificada do plano de US$ 700 bilhões do governo americano para salvar companhias em risco.

A aprovação se deu por 74 votos a favor e 25 votos contra.

Para facilitar a aprovação nas duas casas legislativas e tentar neutralizar as críticas da opinião pública ao pacote, foram introduzidas mudanças no plano inicial que foi rejeitado pela Câmara na segunda-feira.

A principal alteração foi o aumento do limite de depósitos bancários garantidos pelo governo - que passa de US$ 100 mil para US$ 250 mil.

Também foram incluídos descontos nos impostos para promover o uso de fontes de energia renováveis por empresas, no total de quase US$ 80 bilhões, e a prorrogação e ampliação de outras reduções nos impostos para pessoas físicas e empresas.

Os dois candidatos à sucessão de Bush, os senadores Barack Obama (democrata) e John McCain (republicano), interromperam suas campanhas para votar a favor do pacote.

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