Bolsa de NY tem pior dia desde 11 de setembro de 2001

A intensificação dos problemas bancários nos Estados Unidos, com pedido de concordata feito nesta segunda-feira pelo Lehman Brothers, provocou quedas generalizadas nos mercados do mundo inteiro e fez índice Dow Jones ter a pior queda desde os ataques de setembro de 2001. O índice da bolsa de Nova York fechou nesta segunda-feira com uma queda de 4,42%, registrando uma perda de 504,48 pontos.

BBC Brasil |

O resultado negativo do Dow Jones só é comparável ao de 17 de setembro de 2001 - primeiro dia de negociações após os atentados em Nova York e Washington - quando a perda foi de 684,81 pontos.

Já a bolsa Nasdaq caiu 3,6%, enquanto o índice Standard & Poor's 500 encolheu 4,69%.

O Brasil também sofreu com as incertezas do mercado, com o índice Bovespa sofrendo uma queda acentuada de 7,59% e o dólar sendo negociado a R$ 1,81, em um aumento de 1,74%.

As quedas nos mercados dos EUA e do Brasil seguiram as perdas registradas nos índices europeus e asiáticos na manhã desta segunda-feira.

O índice FTSE da bolsa de Londres encerrou o dia em -3,92%; enquanto em Paris, o Cac fechou em -3,78% e, em Frankfurt, o Dax terminou a segunda-feira em -2,74%.

Os principais mercados asiáticos - que não funcionaram na segunda por conta de um feriado - também abriram em queda nesta terça-feira, 16.

Na primeira meia hora de negócios, o índice Nikkei, de Tóquio, havia caído 4,7 %, enquanto a bolsa da Coréia do Sul teve uma queda de 5% apenas 20 minutos depois da abertura.

Turbulência
Em resposta à crise, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, concedeu uma entrevista coletiva onde afirmou que o país está "passando por um período difícil nos mercados financeiros" e que está tentando superar "excessos do passado".

Paulson, no entanto, afirmou que os "americanos podem continuar confiantes no poder de resiliência do sistema financeiro".

O secretário afirmou ainda que a turbulência no mercado financeiro deve continuar até que as distorções no mercado imobiliário sejam corrigidas.

Horas antes, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou que seu governo está trabalhando para minimizar o impacto dos problemas.

"Estamos concentrados na saúde do sistema financeiro como um todo. No curto prazo, ajustes nos mercados financeiros podem ser dolorosos", disse.

"No longo prazo, confio que nossos mercados de capital são flexíveis e resilientes e poderão lidar com os esses ajustes", afirmou o presidente.

Mais pessimismo
Também nesta segunda-feira, o Bank of America anunciou ter acertado a fusão com o banco de investimentos Merrill Lynch, em um negócio de cerca de US$ 50 bilhões que reforçou o tom pessimista a respeito da crise nos Estados Unidos.

O Lehman Brothers e o Merrill Lynch, duas instituições-símbolo de Wall Street, vinham sofrendo prejuízos bilionários desde o ano passado com o aumento da inadimplência das pessoas que contraíram dívidas imobiliárias.

Além disso, de acordo com o jornal The New York Times, uma das maiores seguradoras do mundo, a americana AIG, está tentando obter uma ajuda de cerca de US$ 40 bilhões do Fed, o Banco Central americano, para manter suas operações.

De volta a 1920?
O Lehman Brothers, uma instituição de 158 anos, pediu proteção de acordo com o previsto no capítulo 11 da Lei de Falências americana.

O capítulo prevê que a empresa seja administrada com supervisão judicial, dando a ela uma chance de se recuperar, mas uma possível liquidação do banco no futuro não está descartada e seria uma das maiores da história do sistema financeiro mundial.

No fim de semana, fracassou uma tentativa de negociação para que a instituição passasse ao controle do banco britânico Barclays, que havia manifestado interesse nisso.

Aparentemente, o Barclays recuou nos seus planos por ter concluído que seria impossível assumir as operações do Lehman Brothers sem uma injeção de recursos do governo americano.

A concordata do Lehman Brothers foi pedida seis meses depois do colapso de outro importante banco de investimentos americano, o Bear Stearns - que acabou sendo comprado pelo JP Morgan Chase com a ajuda do Tesouro americano.

Segundo o analista de negócios da BBC Robert Penson, os últimos desdobramentos da crise econômica nos Estados Unidos já estão sendo comparados aos problemas vividos pelos mercados no fim da década de 20.

"A economia global, no mundo das finanças, nunca foi testada nos últimos anos por tal combinação de incidentes e surtos de confiança", disse.

Reações
Para tentar evitar pânico nos mercados, o banco central americano disse que, pela primeira vez, vai passar a aceitar ações de propriedade dos bancos como garantia para empréstimos de curto prazo.

Isso representa uma ampliação do programa de emergência que já havia sido anunciado para ajudar as instituições bancárias.

Na Europa, os bancos central Europeu e da Grã-Bretanha anunciaram ter injetado US$ 50 bilhões no mercado financeiro, com o mesmo objetivo.

A crise também fez com que um consórcio mundial de bancos anunciasse que está levantando fundos com o objetivo de ajudar instituições em dificuldades.

Os dez bancos - Bank of America, Barclays, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JP Morgan, Merrill Lynch, Morgan Stanley e UBS - concordam em doar cada um US$ 7 bilhões para o fundo.

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