Bolívia vota nova Constituição socialista

Por Carlos A. Quiroga e Alejandro Lifschitz LA PAZ (Reuters) - Os bolivianos votam neste domingo um referendo sobre a nova Constituição promovida pelo presidente Evo Morales, que outorgaria ao Estado o controle total da economia e abriria as portas das instâncias do poder à maioria indígena.

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A reforma constitucional foi rechaçada durante quase três anos pela oposição, que liderou violentas manifestações que deixaram um saldo de mortos.

Analistas crêem que a popularidade de Morales entre a comunidade indígena, que chega a dois terços da população boliviana de 10 milhões de habitantes e que foi relegada durante décadas na vida política, será suficiente para a aprovação da carta magna.

Mas há dúvidas se o mandatário obterá novamente o forte apoio obtido em outras consultas.

"Esperamos sua participação (da população) nesta festa democrática. Neste 25 de janeiro, pela primeira vez uma proposta de Constituição está sendo submetida ao povo boliviano", disse Morales à radio Erbol.

A oposição, integrada por partidos de centro e centro-direita com grande poder nos departamentos do leste do país, afirma que a nova Constituição criaria um Estado totalitário e afugentaria os investimentos de que o país mais pobre de América do Sul necessita com urgência.

Ainda acusam Morales, um indígena de 49 anos, de querer instaurar um regime centralista apoiado por seu maior aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez.

"É um momento muito especial para nossa pátria. Peço a todos que ajudem esta jornada democrática. Estão em jogo muitas coisas transcendentais para o futuro de nosso país", afirmou aos jornalistas o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, um dos líderes da oposição.

Costas ainda evocou o fantasma da fraude e pediu aos observadores internacionais que estejam atentos a qualquer anormalidade.

O projeto constitucional boliviano, que permite a reeleição de Morales em um pleito que poderia ser convocado em dezembro, estabelece que as 36 etnias indígenas que compõem a Bolívia devem estar representadas nos poderes Legislativo e Judicial.

Além disso, aprofunda a reforma agrária ao proibir os latifúndios e estabelece que o Estado exercerá a planificação da economia, a administração dos recursos naturais e poderá intervir em toda a cadeia produtiva.

As urnas foram abertas às 08h locais (10h em Brasília) e fecharão às 16h. Espera-se que os primeiros resultados de boca de urna saiam às 18h, e os primeiros números oficiais devem surgir no início da noite.

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