Bolívia vence o analfabetismo e dá testemunha ao Paraguai e Nicarágua

Abraham Zamorano. Cochabamba (Bolívia), 20 dez (EFE).- O Governo da Bolívia proclamou hoje o fim do analfabetismo no país andino e junto com seus aliados da Venezuela e Cuba planejam se concentrar no Paraguai e Nicarágua para alcançar a mesma meta.

EFE |

O objetivo de colaborar também com o Paraguai, com a Nicarágua, foi colocado hoje na cidade de Cochabamba pelo ministro venezuelano de Educação, Héctor Navarro, no marco da integração impulsionado pela Alternativa Bolivariana das Américas (Alba).

"Missão cumprida diante do povo boliviano e do mundo inteiro", exclamou hoje o presidente da Bolívia, Evo Morales, ao lembrar que "erradicar o analfabetismo" sempre foi um de seus objetivos desde que era candidato.

Em Cochabamba (centro), em uma festa da qual também participou o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, cerca de 5.000 pessoas, muitos deles cubanos e venezuelanos, se concentraram em um complexo poliesportivo para celebrar o fim oficial do analfabetismo na Bolívia.

O líder paraguaio destacou que a Bolívia é o terceiro país da América Latina, após Cuba e Venezuela, a alcançar um dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas.

"Quando cada paraguaio, cada boliviano, cada argentino e cada brasileiro possa escrever com próprio punho a história de seu futuro ninguém mais poderá roubar deles a esperança", disse o governante paraguaio.

Lugo também disse receber "com muita alegria" a proposta de Morales de estender o "Eu posso" ao Paraguai, o que qualificou de "desejo generoso" do líder boliviano.

Bolívia, graças ao método audiovisual cubano "Eu posso", com o impulso financeiro do Governo de Hugo Chávez alfabetizou em 33 meses quase 820.000 pessoas, quase 10% da população.

O programa de alfabetização, que Morales transformou em um assunto de Estado, foi possível graças à doação cubana de 3.000 televisores e videocassetes, além de 8.000 painéis geradores de energia para que se pudesse chegar à área rural.

Cerca de 70% dos alfabetizados pelos quase 50.000 facilitadores foram mulheres, majoritariamente indígenas da área rural, o que para o ministro boliviano de Educação, Roberto Aguilar, demonstra a exclusão à qual estiveram condenadas.

Participou do programa praticamente a totalidade dos iletrados do país nos mais de 50.000 pontos de alfabetização que foram instalados por todo o país e que deram como resultado que o índice de alfabetização alcança 96% da população.

O "Eu posso", segundo explicou à Agência Efe o embaixador cubano na Bolívia, Rafael Dausá, se caracteriza também por ser uma versão adaptada à realidade e necessidades do país.

Segundo números oficiais, em quíchua foram alfabetizadas 13.600 e em aimará quase 25.000.

Entre as lembranças mais comentadas, está o fato de que inclusive crianças se tornaram alfabetizadores como foi o caso de Tupiza, povoado do departamento de Potosí (sul), onde houve um alfabetizador de 8 anos e uma de 12, segundo disse à Efe o ministro Aguilar.

Apesar de ser um dos países mais pobres do continente junto com Guiana e Haiti, após uma campanha que custou US$ 36 milhões, a Bolívia atingiu um marco histórico na frente de potências econômicas da região como Brasil, Argentina e México.

Na celebração, entre outras personalidades, também estiveram o diretor da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência (Unesco) para a região andina, Edouard Matoco e o ex-chanceler argentino Dante Caputo, representando a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Além disso, para a ocasião chegaram o vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, José Ramón Fernández, a titular de Educação desse país, Ena Elsa Velásquez, e seu colega venezuelano Navarro.

O ministro venezuelano reivindicou a integração regional mediante a Alternativa Bolivariana das Américas (Alba) e disse que agora "cubanos, bolivianos e venezuelanos vão à Nicarágua e ao Paraguai também para travar a batalha pela libertação".

Matoco felicitou em nome da Unesco "os protagonistas da campanha, os que aprenderam e ensinaram" ao mesmo tempo que insistiu em destacar a "vontade política" demonstrada pelo Governo Morales.

"Na Unesco estamos convencidos de que há elementos que demonstram que a experiência boliviana é exemplar", disse Matoco. EFE az/ma

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