Bolívia vai às urnas para referendo sobre Constituição

A Bolívia comparece neste domingo às urnas para um referendo que submete a consulta popular uma Constituição com a qual o presidente Evo Morales pretende refundar o país, o mais pobre da América do Sul.

AFP |

O referendo, o primeiro da história do país para decidir sobre uma Constituição, teve início de maneira tranquila às 8H00 locais (10H00 de Brasília).

"Hoje temos um encontro indispensável com a história e com a pátria, que niguém permaneça impassível, que ninguém deixe de comparecer às urnas", afirmou o presidente da Corte Nacional Eleitoral (CNE), José Luis Exeni, na abertura da votação, para a qual estão registrados 3,89 milhões de bolivianos.

"Vamos todos exercer nosso direito de decidir livremente na democracia", acrescentou Exeni.

Um total de 30.000 policiais controlarão a votação nos nove departamentos do país. O referendo vai durar oito horas e em seguida começará a apuração manual dos votos.

O projeto de Carta Magna, que se for aprovado substituirá outro em vigor desde 1967, propõe um Estado "plurinacional comunitário, intercultural, descentralizado e com autonomias", com forte teor estatal e indigenista, que os analistas consideram ideal para o governo de Morales.

O texto, no entanto, enfrenta a resistência dos líderes políticos e regionais de Santa Cruz, Tarija, Chuquisaca, Beni e Pando, os departamentos mais ricos do país. A aprovação pode aumentar ainda mais a divergências entre os bolivianos.

As cinco regiões rebeldes, lideradas por Santa Cruz, lutam por um modelo autonomista muito diferente do proposto na Constituição que vai à votação neste domingo.

O governo de Evo Morales já anunciou que fará cumprir em toda a Bolívia a nova Constituição, caso esta seja aprovada no referendo, ante a ameaça de líderes cívicos opositores de não acatar o texto em suas regiões.

"É uma eleição nacional e o resultado é nacional, a maioria manda. Acataremos o que diz a lei. Não vamos aceitar este tribalismo eleitoral, porque só estimula as divisões no país", afirmou o vice-presidente Alvaro García.

A declaração foi feita após a ameaça de dirigentes da direita, principalmente de Beni, de que se nesta região a nova Carta Magna for rejeitada nas urnas, então não respeitarão o texto, mesmo que seja aprovado no restante do país.

Os bolivianos são consultados também no mesmo referendo sobre a extensão máxima que poderão ter as terras agrícolas e pecuárias privadas (5.000 ou 10.000 hectares), cujo resultado será incorporado à nova Constituição, se esta for aprovada.

Uma eventual aprovação da Carta Magna possibilitará também a convocação de eleições gerais antecipadas para 6 de dezembro deste ano, nas quais o presidente Morales poderá tentar a reeleição.

arb/fp

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