COSTA DO SAUÍPE, Bahia (Reuters) - O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou nesta terça-feira que vai suspender as medidas legais contra o corte de benefícios comerciais oferecidos pelos Estados Unidos, com a esperança de que o futuro presidente norte-americano reverta a decisão. Os Estados Unidos suspenderam os benefícios nesta semana com a alegação de que a Bolívia não está cooperando na luta contra o tráfico de cocaína. Em setembro, o país fez um alerta após a expulsão do embaixador norte-americano por Morales.

Morales, um dos vários líderes latino-americanos que costuma ter atritos com Washington, acusou os Estados Unidos de "vingança política", citando provas de que a Bolívia fez mais do que outros países da região para combater as drogas.

"A Bolívia preparou um processo internacional para forçar o cumprimento das regras, mas decidiu suspendê-lo, confiante de que o presidente eleito, senhor Obama, possa reparar essa injustiça, essa vingança", disse Morales, que participa de um encontro de líderes latino-americanos e do caribe na Bahia, referindo ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama.

A Bolívia, terceira maior produtora de cocaína do mundo depois de Colômbia e Peru, exportou 363 milhões de dólares em produtos e serviços aos Estados Unidos no ano passado.

Com a medida, o país mais pobre da América do Sul perderá 21 milhões de dólares por ano em exportações têxteis aos Estados Unidos, disse Morales a chefes de Estado da região.

Morales citou dados da Organização das Nações Unidas (ONU) que mostram a expansão em 2007 dos cultivos de coca na Colômbia, aliada dos Estados Unidos, e no Peru. Enquanto isso, segundo os números, a área de produção de coca na Bolívia se manteve estável.

Peru, Colômbia e Equador continuam a se beneficiar da Lei de Preferências Comerciais Andinas e da Lei de Erradicação das Drogas e Promoção do Comércio Andino, que dão privilégios tributários para a entrada da maior parte dos produtos desses países nos Estados Unidos.

A Bolívia rejeitou a opção de Washington de erradicar à força as cultivos de coca, dizendo que isso só leva a conflitos violentos. O país optou, em vez disso, por um programa que encoraja os produtores de coca a limitar o uso da planta para fins legais e tradicionais.

(Reportagem de Raymond Colitt)

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