Bolívia suspende estado de sítio mas aumenta Exército em Pando

La Paz, 23 nov (EFE).- O Governo da Bolívia suspendeu hoje o estado de sítio no departamento (estado) de Pando, no norte, mas continuará atuando na região para garantir a vida e a segurança, porque ainda há ameaças e temor na população, disse hoje o ministro da Defesa, Wálker San Miguel, referindo-se ao aumento de soldados.

EFE |

A declaração foi feita em entrevista aos meios de comunicação estatais "Televisión Boliviana" e "Radio Patria Nueva", coincidindo com o restabelecimento das garantias constitucionais que se restringiram com a medida de estado de sítio decretada em setembro em Pando.

O ministro sustentou que os efetivos militares que se transferiram para Pando no estado de sítio "não recuarão", mas aumentarão em 300, para chegar a 1.500, aos que se somarão outros 300 policiais para "garantir a segurança em Cobija, Filadélfia, Porvenir e nos lugares afetados".

O Governo de Evo Morales decretou o estado de sítio na região de Pando em meados de setembro para pôr fim a uma onda de violência que causou a morte de cerca de 20 pessoas, a maioria camponeses seguidores do presidente.

O Executivo responsabilizou pelo massacre o ex-governador de Pando, o opositor e autonomista Leopoldo Fernández, que se encontra detido em uma prisão de La Paz.

A "comissão da verdade" enviada pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) e coordenada pelo argentino Rodolfo Mattarollo antecipou esta semana em Buenos Aires parte do que será seu relatório, no qual qualifica o ocorrido como um "massacre" de camponeses.

Mattarollo deve apresentar este relatório em 25 de novembro à governante chilena Michelle Bachelet.

Além disso, San Miguel anunciou que no próximo ano será criado um comando amazônico para reduzir os custos que supõe transferir militares de outras regiões a esta para reforçar a segurança.

O titular da Defesa justificou esta medida porque "não finalizou o processo de ameaças e ainda há temores e comunidades ameaçadas por gente que disse que vai se vingar e isto o estado não pode permitir".

San Miguel se referiu também aos cidadãos que após os fatos fugiram de Cobija, a capital de Pando, para o Brasil.

Ele explicou que em consultas realizadas com as autoridades brasileiras se notificou que cerca de 35 pessoas "pediram a condição de refugiados" do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O ministro assegurou que a justiça será feita na hora de decidir quais destas pessoas poderão retornar a sua atividade normal e quais serão julgadas.

"Aqueles que conscientemente sabem que estiveram vinculados a estas ações temerárias de tomar instituições, ameaçar cidadãos que pensavam diferente ou tenham participado como membros de grupos de choque da Prefeitura e do comitê cívico terão que responder à Justiça", afirmou. EFE lav/ab/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG