Bolívia: referendo é mantido apesar de decisão judicial

O referendo de 10 de agosto na Bolívia, que põe em jogo os cargos do presidente Evo Morales e de nove governadores, está mantido, apesar de uma decisão judicial que pede sua suspensão e que foi considerada como uma manobra política da oposição.

AFP |

A Corte Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que o plebiscito será realizado na data prevista, apesar da decisão da juíza Silvia Salame, do Tribunal Constitucional (TC), para quem o referendo deve ser suspenso até a confirmação de que contraria ou não os princípios da Constituição boliviana.

José Luis Exeni, presidente do CNE, disse que considera o pronunciamento da juíza Salame "uma simples opinião pessoal", e reiterou que os preparativos do referendo continuam.

A decisão judicial parece mostrar que a oposição seguirá interpondo recursos para impedir, ou pelo menos tornar ilegítimo o referendo, que pode contribuir para o fortalecimento do presidente socialista da Bolívia, Evo Morales.

O deputado opositor Arturo Murillo, responsável pela alegação de inconstitucionalidade do plebiscito, ameaçou processar Exeni se o referendo for adiante.

"Exeni mostrou que é um fantoche do governo. Ele será preso se seguir adiante com a organização desse referendo que fere a Constituição e as leis do país", esbravejou o parlamentar.

Aprovado pelo governo e pelo Congresso, o referendo revogatório põe em jogo os cargos de Morales e dos nove governadores do país, seis dos quais são ferrenhos opositores do presidente boliviano.

Um deles, o governador de Cochabamba Manfred Reyes Villa, já adiantou que não se submeterá ao plebiscito, que considera sem fundamento jurídico.

Ao contrário, Ruben Costas, governador da rica província de Santa Cruz e principal adversário de Morales, continua com sua campanha. Segundo as pesquisas, ele conseguirá se manter no cargo, assim como o presidente.

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