Bolívia quer relação sem submissão com os EUA

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira que há sinais positivos para uma nova relação com os Estados Unidos, mas que esta deve ser sem subordinação. As declarações de Morales foram feitas em La Paz, após reunião com o subsecretário de Estado americano para assuntos da América Latina, Thomas Shannon.

BBC Brasil |

Reuters
Shannon encontra Morales
Shannon encontra Morales
"Há sinais positivos", disse Morales. "Mas que sejam relações não de submissão, não de subordinação. Que sejam relações nas quais os dois (países) tenham respeito mútuo", afirmou, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI, que é oficial).

Morales disse ainda que os Estados Unidos, assim como Rússia, China e Japão, são uma "potência mundial". No entanto, disse que a relação bilateral deve ser de "cooperação, e não de intromissão política".

"Delicadeza"

Shannon agradeceu a "delicadeza" de Morales. "Acabo de me reunir com o presidente Morales. Agradeço sua delicadeza e sua boa vontade de se reunir comigo. Tivemos uma boa conversa para aprofundar a boa vontade entre os dois países", afirmou.

Acompanhado por uma comitiva de representantes do governo do presidente Barack Obama, Shannon chegou a La Paz na quarta-feira para reuniões de dois dias com o governo de Morales.

Acho que tivemos um bom começo e há muito boa vontade entre os dois governos. Vamos continuar trabalhando para o bem estar dos nossos povos", disse.

A agenda de reuniões prevê discussões sobre o combate conjunto ao narcotráfico e o "fortalecimento" do comércio bilateral.

Relações

A relação entre Bolívia e Estados Unidos foi abalada em setembro passado, depois que Morales expulsou o embaixador americano, Philip Goldberg, do país, acusando o governo do então presidente George W. Bush de "conspirar" contra sua gestão.

A iniciativa levou o governo Bush a também expulsar o embaixador da Bolívia nos Estados Unidos. Morales determinou ainda a saída da DEA (a agência de combate às drogas) do território boliviano.

Bush determinou a suspensão do Acordo de Preferências Tarifárias e Erradicação de Drogas na região Andina (ATPDEA, na sigla em inglês), o que teria afetado as exportações bolivianas, de acordo com a câmara que reúne o setor.

Nesta quinta-feira, o ministro de governo da Bolívia, Alfredo Rada, disse que apesar dos sinais de uma nova relação com Estados Unidos, a DEA não poderá voltar ao país. Segundo Rada, a Bolívia já criou "mecanismos próprios" para este combate às drogas.

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