Bolívia quer que Obama corrija injustiças cometidas por Bush

La Paz, 20 mai (EFE).- O Governo da Bolívia pediu hoje que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, corrija as vinganças políticas e injustiças cometidas por seu antecessor, George W.

EFE |

Bush, contra o Executivo de Evo Morales.

O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, fez o pedido diante da imprensa, depois de se reunir em La Paz com o secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, Thomas Shannon, e antes de começar uma reunião bilateral de comissões técnicas dos dois países.

"Durante estes três anos, nosso Governo foi assediado pela Administração Bush e esperamos que isso acabe", disse o chanceler boliviano, ao início da primeira reunião para trabalhar em um novo acordo marco para regulamentar as relações bilaterais.

"Bush quis nos ajoelhar e nós não nos ajoelhamos, e nunca nos ajoelharemos", acrescentou Choquehuanca, que também se mostrou confiante de que "esta primeira reunião Bolívia-EUA servirá para começar a corrigir as injustiças do passado".

O chanceler afirmou que "apoia" as declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que reconheceu, segundo Choquehuanca, que "a anterior Administração tentou isolar a Bolívia e a Venezuela tentando apoiar sua oposição".

Com a visita de Shannon a La Paz, onde amanhã será recebido pelo presidente Evo Morales, Bolívia e Estados Unidos tentarão abrir uma nova etapa em suas relações bilaterais, marcadas pela tensão desde que o líder esquerdista chegou ao Governo em La Paz.

A delegação americana e o Governo Morales trabalharão na elaboração de um convênio marco que, segundo Choquehuanca, será baseado em quatro eixos fundamentais: diálogo político, cooperação, luta contra o narcotráfico e comércio.

Entre as injustiças que o chanceler pediu a Obama que corrija, está a proteção concedida por Washington ao ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, acusado de genocídio pelo massacre do "outubro negro" de 2003, onde morreram mais de 60 pessoas.

"Para que o diálogo Estados Unidos-Bolívia dê frutos, as mensagens do presidente Obama e da secretária de Estado, Hillary Clinton, têm que se fazer de carne e osso nestes dois dias de reuniões", acrescentou o chanceler.

Shannon mostrou seu "propósito de buscar a maneira de melhorar a relação bilateral e aprofundar na cooperação de uma maneira que beneficie todo o país, seus cidadãos e também a região".

"Estamos aqui com boa vontade e em uma tentativa de garantir que o futuro seja frutífero para os dois países", disse o político americano, que ocupava o mesmo cargo no Governo Bush, época na qual visitou Bolívia em várias ocasiões. EFE lav-az/an

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