Bolívia quer punir manifestantes de Pando que fugiram ao Brasil

Rio de Janeiro - O governo boliviano pretende intensificar o diálogo com as autoridades brasileiras para impedir que algumas das pessoas que promoveram protestos violentos nas últimas semanas em Pando e atravessaram a fronteira para o Brasil fiquem impunes. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca, em entrevista à Agência Efe. O Governo brasileiro disse que vai nos ajudar. Temos que ter uma maior troca de informação.

EFE |

O Estado brasileiro não pode oferecer refúgio a pessoas que têm processos na Bolívia", argumentou.

O chanceler destacou que essa troca de informações está dirigida às instâncias que decidem se concedem ou não refúgio a uma pessoa.

Segundo Choquehuanca, tanto o Brasil quanto outros países ofereceram realizar operações conjuntas para rastrear esses cidadãos, porque "as ameaças continuam: há grupos contratados, há sicários, que ameaçam a integridade física dos dirigentes indígenas no departamento de Pando".

Além disso, a Bolívia, que em setembro declarou "persona non grata" o embaixador dos Estados Unidos em La Paz Philip Goldberg e pediu sua saída, também quer rever suas relações com esse país, afirmou Choquehuanca.

O objetivo, afirmou, é que as relações bilaterais deixem de ser de dependência e se baseiem no respeito.

O chanceler destacou que a revisão dessas relações inclui a negociação de um acordo comercial já proposto pela Bolívia.

Em entrevista concedida durante sua visita ao Rio de Janeiro para participar de uma reunião de chanceleres da América Latina e do Caribe, Choquehuanca falou sobre a relação de Bolívia com EUA.

"Os Estados Unidos disseram, depois que expulsamos o embaixador, que vão revisar as relações com a Bolívia. Nós também queremos rever as relações. Queremos relações de respeito mútuo, de respeito à nossa soberania, de igual para igual", assegurou o ministro.

"A relação com os Estados Unidos sempre foi de dependência, de intromissão. Antes, os partidos políticos tinham que submeter seus programas à autorização da embaixada dos Estados Unidos e se gabavam disso. Muitos ministros tinham que ter o aval da embaixada, e isso acabou nesta gestão", afirmou.

Choquehuanca explicou que, apesar de não haver embaixador de nenhum dos países no outro, as relações estão sendo conduzidas pelos encarregados de negócios de ambas as delegações.

"As relações com os EUA não foram rompidas. Estão vigentes.

Queremos manter boas relações, especialmente com o povo americano", afirmou.

Choquehuanca chamou de "injusta" a decisão do Governo americano de desqualificar a luta da Bolívia contra o tráfico de drogas e a intenção do presidente americano, George W. Bush, de suspender as tarifas preferenciais que concede à Bolívia como compensação pela luta contra os entorpecentes.

"A Bolívia foi um dos países que cumpriu positivamente a luta contra o narcotráfico e a redução dos cultivos da folha de coca", disse.

"Essa desertificação não tem validade. Desconhecemos ela porque é uma medida unilateral do presidente Bush em resposta política porque a Bolívia declarou 'persona non grata' seu embaixador", assegurou.

De acordo com o chanceler, enquanto as plantações de folha de coca cresceram 27% na Colômbia, país cujo esforço foi certificado, na Bolívia aumentaram apenas 5%.

"A Bolívia teve resultados mais positivos que a Colômbia e que o Peru. Não encontramos argumentos que justifiquem a desqualificação, nem a suspensão do ATPDEA", a lei que contemplava os benefícios tarifários, sustentou.

O ministro ressaltou que a Bolívia quer negociar um acordo comercial com os EUA.

"Apresentamos uma proposta muito geral para poder iniciar um processo de negociação para alcançar um acordo comercial", disse.

"Não estamos falando de livre-comércio, mas isso não significa que não tenhamos relações comerciais com os Estados Unidos.

Reconhecemos que é um mercado importante e que precisamos tê-lo, e vamos trabalhar para que possamos ter um acordo comercial", afirmou o chanceler.

"Estamos buscando mercados alternativos, já que as ameaças não são de agora, mas foram permanentes. Já há um aumento da venda de têxteis à Venezuela. Uma empresa boliviana que, em 2006, exportou US$ 1 milhão em têxteis, no ano passado exportou US$ 13 milhões" a esse país, destacou.

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