Bolívia: Produtor brasileiro de soja teme invasões de terras

O diretor da Associação Nacional de Produtores de Soja da Bolívia (Anapo), o paranaense Nilson Medina, disse à BBC Brasil que os produtores brasileiros no país estão preocupados com possíveis invasões de terras, diante do agravamento da crise boliviana. Todo mundo que tem propriedade aqui está preocupado.

BBC Brasil |

A situação é extremamente grave", disse. "A única forma que a gente tem de se proteger é trabalhando, produzindo a terra. Por isso, estamos dentro da lei e da constituição (que afirma que terras produtivas não serão afetadas por possíveis reformas)".

Segundo ele, o Brasil poderia ajudar "influenciando" a política do governo do presidente Evo Morales. "Evo poderia sair do barco de Chávez e entrar no barco do Lula. Seria melhor para todos", disse.

Medina é também é vice-presidente da Câmara de Comércio Boliviana-Brasileira. Ele disse ainda que os confrontos podem se agravar, se o governo Morales não rever a nova constituição do país e desistir dos cortes no repasse de verbas do setor petroleiro país - do chamado IDH (Imposto Direto de Hidrocarbonetos).

"Se o governo impor essa constituição, como já está impondo, e se não mudar a questão do IDH, ocorrerão mais confrontos. E as conseqüências são imprevisíveis", afirmou.

Constituição
A nova constituição boliviana foi aprovada no ano passado, com maioria da situação, mas resistência da oposição.

A carta magna trata, entre outras questões, da reforma agrária. Por sua vez, o governo afirma que os recursos dos cortes no IDH são usados para pagamento de benefício a aposentados. Mas a oposição alega que é um "confisco" nas verbas das regiões.

Medina estima que só no departamento (estado) de Santa Cruz vivam entre 250 a 300 proprietários brasileiros de terras, no setor agropecuário.

Outros produtores rurais do Brasil concentram-se nos departamentos de Beni e Pando. Em Pando, na fronteira com o Acre, esta semana, na quinta e sexta-feiras, 15 pessoas morreram nos enfrentamentos com pedras, paus e balas, levando o governo Morales a decretar o estado de sítio na região.

"Se a situação ficar ainda mais complicada, poderá haver retorno dos brasileiros que vivem aqui para o Brasil", disse o produtor rural.

Nos últimos dias, aumentou a presença de brasileiros no Consulado do Brasil em Santa Cruz de la Sierra. Na sexta-feira, a fila continuava mesmo depois do fim do horário do atendimento ao público.

A maioria, como contou o vice-cônsul, Claudio Bezerra, queria preencher a formalidade do consulado - chamada matrícula consular - com a qual a representação brasileira pode localizar os residentes no país, em caso de emergência.

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