Bolívia prejudica esforço antidrogas, dizem EUA

Por Mica Rosenberg CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - A Bolívia, terceiro país que mais produz cocaína no mundo, está atrapalhando os esforços dos EUA contra as drogas, disse na sexta-feira a principal autoridade norte-americana do setor.

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"A Bolívia tem feito um péssimo trabalho", disse o "czar" antidrogas John Walters, em visita à Cidade do México. "O governo boliviano não faz nenhum esforço razoável para combater o tráfico de cocaína, apesar dos nossos esforços para continuar envolvidos", disse ele.

Em setembro, Washington incluiu a Bolívia (junto com Venezuela e Myanmar) na lista de países que não colaboram no combate ao narcotráfico, mas disse que não suspenderia a ajuda bilateral.

Os EUA dizem que tiveram de retirar agentes antidrogas da principal região produtora de coca da Bolívia por razões de segurança. Há alguns meses, seguidores do presidente esquerdista Evo Morales expulsaram técnicos de desenvolvimento dos EUA na mesma região.

As declarações de Walter podem tornar ainda mais tensas as relações bilaterais, já que em setembro La Paz e Washington expulsaram mutuamente seus embaixadores, depois que Morales acusou o diplomata norte-americano de estar conspirando com a oposição contra seu governo.

Morales recentemente proibiu todos os vôos do DEA (agência antidrogas dos EUA) sobre o território boliviano, o que estaria dificultando o transporte de autoridades bolivianas e norte-americanas para missões de combate a drogas no país.

Primeiro indígena a governar a Bolívia, Morales fez carreira como dirigente cocaleiro e promove usos legais para a planta, usada há milênios por indígenas para fins rituais e medicinais.

Os Estados Unidos, maior mercado da cocaína sul-americana, dizem que o cultivo da coca na Bolívia cresceu 14 por cento em 2007, aumentando a produção potencial da droga de 115 para 120 toneladas. Só a Colômbia e o Peru produzem mais do que isso.

O governo Morales diz que o crescimento em 2007 foi de apenas 5 por cento.

Walter disse que a cocaína boliviana, de qualidade mais baixa, não costuma chegar aos EUA, e sim aos mercados da Europa e América do Sul.

"O mau comportamento da Bolívia infecta a Europa, infecta a África, porque algumas dessas rotas agora estão indo pela África, e o Cone Sul. Por isso precisamos de cooperação."

(Reportagem adicional de Eduardo Garcia, em La Paz)

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