Bolívia pede que EUA que mantenham benefícios tarifários

César Muñoz Acebes. Washington, 23 out (EFE).- Governo e empresários bolivianos pediram hoje aos Estados Unidos que mantenham as vantagens alfandegárias das quais dispõe, diante do risco de perda de empregos em massa e um aumento do narcotráfico.

EFE |

O presidente americano George W. Bush iniciou há um mês o processo para suspender esses benefícios, por considerar que a Bolívia não realiza o combate às drogas com energia suficiente.

Nesta quinta-feira, representantes bolivianos tiveram a única oportunidade de se explicar em uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) diante de um grupo de nove pessoas das principais agências do Governo americano.

A delegação, liderada pelo ministro da Fazenda boliviano, Luis Arce, destacou a importância econômica do programa para seu país, do qual dependem 25 mil empregos, segundo documento oficial apresentado na audiência.

No entanto, seus comentários foram recebidos com ceticismo por alguns membros que participaram da reunião.

Enquanto isso, em Puerto Vallarta (México), a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reiterou que a intenção do Governo Bush é retirar a Bolívia do programa, do qual também se beneficiam Peru, Equador e Colômbia.

Em 31 de outubro, terminará o período de comentários públicos.

Depois, o Governo tomará a decisão final.

O processo chega em um momento de grande tensão nas relações entre estes países, aguçada depois da expulsão embaixador americano em La Paz pelo presidente Evo Morales e da resposta americana, ordenando a saída do embaixador boliviano em Washington.

Na audiência não se falou do incidente, embora tenha parecido ser a gota d'água para a Casa Branca e o que levou à decisão de tomar medidas para suspender os benefícios à Bolívia.

A discussão se centrou no desempenho da Bolívia na chamada Lei de Promoção Comercial e Erradicação de Drogas na Região Andina (ATPDEA, na sigla em inglês), que permite a entrada nos EUA de grande parte dos produtos bolivianos sem o pagamento de tarifas em troca da cooperação no combate ao narcotráfico.

"Esperamos que o Governo dos EUA reconheça nossos esforços para reduzir a produção de coca, na luta contra as drogas, e nos dê a oportunidade de continuar reduzindo a pobreza", disse Luis Arce.

Já Felipe Cáceres, responsável pelo combate ao tráfico de drogas na Bolívia, alertou sobre as conseqüências da supressão dos benefícios tarifários.

"Fábricas fechariam e estou seguro de que toda esta gente engrossaria os grupos do narcotráfico, especialmente em El Alto de La Paz", disse Cáceres.

Na sua vez, Peter Weiss, empresário que falou em nome da Câmara Nacional de Exportadores da Bolívia (Caneb), advertiu que sem os trabalhos alternativos criados com o programa a emigração aumentará, argumento que pareceu ter pouco efeito sobre alguns dos funcionários o escutavam.

Bennett Harman, sub-representante do USTR para a América Latina, afirmou que o Governo de Evo Morales "fomentou" o cultivo de coca e não tomou medidas contra a lavagem de dinheiro.

Ele também lembrou a expulsão dos funcionários da Agência Antidroga Americana (DEA, na sigla em inglês) e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) das áreas principais de cultivo de coca na Bolívia.

Por sua vez, Bradley Hittle, um dos diretores do Escritório Nacional de Política de Controle de Drogas, afirmou que desde 2006 a Casa Branca pede a Bolívia que adote 12 medidas contra o narcotráfico.

"Delas, uma foi possível, e a Bolívia rejeitou ou se omitiu de 11", disse ele.

O principal defensor dos benefícios tarifários no Congresso, o democrata Eliot Engel, enviou uma declaração por escrito à reunião, na qual qualificou a expulsão do embaixador americano como "injusta" e afirmou que isto é motivo para se revisar a ajuda de seu país.

Mesmo assim, Engel, que preside a subcomissão da América Latina na Câmara Baixa, disse crer que a suspensão das vantagens tarifárias seria um erro e fomentaria o anti-americanismo na Bolívia. Nenhum outro congressista defendeu publicamente a Bolívia. EFE cma/rb/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG