Bolívia pede ajuda a ONG para revelar arquivos sobre ditadura

La Paz, 22 mai (EFE).- O Governo da Bolívia pediu hoje colaboração à organização privada americana National Security Archive para revelar documentos sobre as ditaduras bolivianas das décadas de 70 e 80 que existem nos Estados Unidos.

EFE |

O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, pediu ajuda ao pesquisador Peter Kornbluh, que trabalhará para tornar pública a informação secreta dos EUA sobre as ditaduras de Hugo Banzer (1971-1978) e Luis García Meza (1980-1981).

García Linera destacou o trabalho de Kornbluh como um exemplo de como a pesquisa de documentos pode demonstrar a intervenção dos EUA em relação aos Estados latino-americanos.

Kornbluh tem estudos sobre as intervenções americanas em Cuba, Chile, Nicarágua e a Operação Condor, aliança que contou com a participação da ditadura brasileira (1964-1985), e recentemente foi consultor histórico dos filmes sobre Ernesto Che Guevara protagonizados pelo ator Benicio del Toro.

O ministro da Defesa boliviano, Wálker San Miguel, declarou que seu país "aproveitará a experiência" de Kornbluh para articular informação e "reconstruir casos específicos" de crimes de lesa-humanidade cometidos nos regimes de Banzer e García Meza.

Nesta semana, o ministro emitiu uma resolução para que as Forças Armadas bolivianas abram seus arquivos aos familiares dos desaparecidos nas ditaduras, mas comentou também que boa parte desse tipo de informação foi destruída.

Três mulheres, cujos parentes desapareceram nas décadas de 60, 70 e 80, realizam uma greve de fome desde o último dia 5 para exigir que o presidente boliviano, Evo Morales, ordene às Forças Armadas a entrega de toda a informação que têm sobre essa época.

Para as grevistas, a resolução do Ministério da Defesa não é suficiente, já que os documentos com alto nível de confidencialidade são protegidos por lei.

As Forças Armadas comunicaram ao Governo boliviano que não têm informações secretas sobre esse período porque foram destruídas ou extraviadas, algo que as ativistas não consideram crível.

Kornbluh comentou hoje que, em todos os países onde houve a tentativa de abrir arquivos secretos, os militares sempre negaram a existência de informações porque as mesmas os comprometem, apesar de vários documentos que esclarecem crimes de lesa-humanidade terem sido encontrados depois. EFE ja/bba

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