Bolívia pede ajuda à OEA para dar transparência à transição constitucional

WASHINGTON - O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu nesta quarta-feira, em seu primeiro discurso perante à Organização dos Estados Americanos (OEA), que o organismo regional acompanhe seu país na aplicação da nova Constituição, diante a preocupação que possa ser gerada por esse processo.

Redação com EFE |

Morales fez a solicitação durante o discurso em uma sessão protocolar do Conselho Permanente da OEA, na qual também expressou "confiança" e "esperança" para as relações da Bolívia melhorem com o governo Barack Obama.

O comparecimento do líder boliviano no organismo foi qualificado por seu secretário-geral, José Miguel Insulza, como uma "grande honra", já que foi a primeira vez que Morales falou na OEA desde 2006, quando assumiu o poder na Bolívia.

O governante foi à OEA para explicar seu projeto de refundação constitucional para a Bolívia e agradecer pela mediação desse organismo no processo de mudança vivido no país.

O discurso de Morales aconteceu dois meses antes do plebiscito na Bolívia sobre a nova Constituição, no dia 25 de janeiro, após um difícil período de enfrentamentos com a oposição e duras negociações sobre o texto da Carta.

O presidente boliviano confessou que "praticamente dá por aprovada" a nova Carta Magna.

"Não tenho muito medo sobre a aprovação, mas sim uma preocupação acerca da implementação" da nova Constituição, admitiu.

Por isso, pediu à OEA que "acompanhe" o processo, já que ao colocar em prática o novo texto constitucional será necessário o desenvolvimento prévio de cerca de 100 leis.

Pouco antes do discurso do chefe de Estado boliviano, Insulza assegurou que a OEA "seguirá cooperando com a Bolívia até o fim" do processo e dedicou também algumas palavras a Morales.

O presidente boliviano que se encontra pela primeira vez em visita oficial a Washington, não deixou de lado um dos temas recentemente mais polêmicos na América: as deterioradas relações entre Bolívia e EUA e as possibilidades de melhorá-las.

Na coletiva de imprensa após o discurso, Morales explicou que "haverá contatos" entre seu Governo e o novo Executivo dos EUA quando Barack Obama tiver tomado posse, em 20 de janeiro.

"Tenho muita confiança que o novo Governo do presidente eleito (Barack) Obama melhorará as relações, não somente com a Bolívia, mas também com a América Latina", disse.

Durante sua estadia em Washington, Morales se reuniu com Richard Lugar, principal republicano na Comissão de Relações Exteriores do Senado, e com o democrata Howard Berman, membro da mesma comissão, mas na Câmara dos Representantes.

"Expus a verdade e sinto que entendem que é preciso mudar essa política de imposição dos EUA", explicou à imprensa.

As relações diplomáticas entre ambos os países se agravaram em setembro devido à expulsão mútua de seus embaixadores, e esfriaram ainda mais pela suspensão das operações da agência antidrogas DEA e da proibição à CIA de desenvolver suas atividades.

A resposta dos EUA foi iniciar o processo para suspender os benefícios tarifários concedida à Bolívia por sua suposta falta de cooperação na luta contra o narcotráfico.

Morales assegurou que "é responsabilidade, obrigação de todos os países", a luta contra o narcotráfico.

O presidente afirmou, no entanto, que "alguns países não têm nenhuma autoridade para certificar" a colaboração das nações na luta contra o narcotráfico, em clara referência aos EUA, que, segundo ele, "exercem uma vingança política".

"Isso tem que terminar. Não é possível que um país imponha certificações e de quebra imponha outra vingança, a de nos tirar a ATPDEA (Lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas)", frisou.

Morales considerou "importante" nacionalizar a luta antidrogas e defendeu a necessidade de "ter novas propostas" neste tema.

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