Bolívia: oposição propõe antecipar eleições; governo denuncia golpe

Cinco governadores da oposição rejeitaram nesta segunda-feira o referendo revogatório, convocado pelo presidente Evo Morales, e defenderam a antecipação das eleições gerais na Bolívia, o que foi qualificado de golpe por La Paz.

AFP |

Em uma carta enviada a Morales, os governadores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Cochabamba afirmaram que "não será realizado qualquer referendo convocado pelo governo, a menos que tal convocação se ajuste aos estatutos de autonomia aprovados" pelas quatro primeiras províncias.

Os governadores Rubén Costas (Santa Cruz), Leopoldo Fernández (Pando), Ernesto Suárez (Beni), Mario Cossío (Tarija) e Manfred Reyes Villa (Cochabamba), reunidos em Tarija, pediram a Morales a construção de um "grande acordo" nacional em torno dessa proposta, ou a "convocação de eleições gerais", o que implicaria a redução do mandato do presidente.

Os cinco convidaram Morales "para um encontro no dia 1º de julho, no lugar que escolher", para definir esta agenda nacional.

Segundo os governadores, o entendimento deve ser baseado no reconhecimento dos referendos de autonomia, na restituição dos recursos econômicos das províncias e na modificação da Constituição aprovada pela Assembléia Constituinte.

Cossío comentou que "o urgente é a necessidade de começar um processo de reencontro e reconciliação nacional".

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, chamou a proposta dos governadores de "golpe contra a Constituição Política do Estado, um golpe contra a democracia", e acusou a oposição de "propor a divisão do país".

Quintana, braço direito do presidente Morales, destacou que os governadores "não deveriam temer o veredicto (voto) do povo".

La Paz convocou para 10 de agosto um referendo revogatório de mandatos do presidente, vice-presidente e dos nove governadores (seis deles opositores), com a idéia de minimizar a crise política na Bolívia.

O ministro acrescentou que a atitude dos governadores rebeldes, que realizaram referendos para aprovar a autonomia de suas províncias, é um crime de responsabilidade passível de ser julgado pelo Congresso.

jac/tt/LR

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