A cinco dias do referendo revogatório, que vai decidir os mandatos do presidente Evo Morales, de seu vice e de oito governadores, líderes da oposição na Bolívia estão em greve de fome exigindo que o governo retorne às regiões produtoras de petróleo, parte da receita gerada pela venda do produto.

A greve, que começou no domingo em Santa Cruz, deve estender-se a cinco dos nove Estados bolivianos, cujos líderes formam o Conselho Nacional Democrático (Conalde), da oposição.

Vinte e cinco líderes civis já aderiram ao protesto em Santa Cruz, entre eles o presidente do Comitê Pró Santa Cruz, Branko Marinkovic, e dirigentes das câmaras empresariais. Prefeitos e governadores da oposição vêm se somando à greve.

A oposição exige que o governo devolva 30% de um imposto petroleiro cortado para financiar a concessão mensal de US$ 28 aos cidadãos maiores de 60 anos.

Os manifestantes de Santa Cruz também realizam a greve em defesa do prefeito Rubén Costas, convocado pela Justiça por ter promovido o referendo pela autonomia em sua região.

A oposição nega que a greve seja uma estratégia para boicotar o referendo revogatório. Na prática, o referendo será um plebiscito no qual os eleitores vão decidir se querem ou não a continuidade do presidente e de oito dos nove governadores do país, inclusive cinco da oposição.

De acordo com as regras, o político que receber índice de rejeição superior aos votos que teve quando foi eleito, em dezembro de 2005, deverá deixar o cargo antes da conclusão do mandato, em 2010.

Apesar do governo negar a estratégia, quando há eleições na Bolívia a prática é impedir a realização de greves, manifestações e até festas.

O governo, a polícia e as Forças Armadas garantiram que vai haver tranqüilidade para o referendo.

O presidente Evo Morales criticou a oposição pelo protesto e ainda fez piada, afirmando que eles aderiram à greve para perder peso.

"Sinto que não estão fazendo greve de fome, estão fazendo dieta, temos que ajudá-los", disse ele diante de uma multidão de simpatizantes durante o encerramento de sua campanha, em Santa Cruz.

Além da greve de fome, o governo ainda enfrenta uma onda de protestos de uma das principais centrais sindicais do país, a Central Obrera Boliviana, que bloqueou estradas e convocou greves em Cochabamba, Sucre, La Paz e Oruro.

Os incapacitados também protestam, exigindo que o governo lhes pague um bônus anual de US$ 420.

Leia mais sobre Bolívia

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.