Bolívia nega ter usado agentes para seqüestrar opositor no Brasil

La Paz, 10 dez (EFE).- O Governo boliviano negou hoje estar envolvido em uma suposta tentativa de seqüestrar em território brasileiro um opositor acusado de participar de um massacre de Pando, usando policiais para cometer este crime.

EFE |

O vice-ministro de Segurança Cidadã, Marcos Farfán, disse que é "completamente falso" que agentes bolivianos entraram no Brasil a partir de Pando com esse propósito, afirmou hoje à Agência Efe uma fonte oficial do Ministério de Governo, responsável pela segurança pública na Bolívia.

Por sua parte, o vice-ministro de Justiça, Wilfredo Chávez, disse à imprensa local que como Governo não pediu ao Brasil a entrega de ninguém e que essas denúncias devem ser investigadas.

A imprensa boliviana repercutiu hoje informações divulgadas no Brasil de que cinco supostos "mercenários a serviço do Governo" tentaram seqüestrar em seu refúgio brasileiro Julio Villalobos, ex-diretor em Pando do Serviço Departamental da Caminos, empresa estatal responsável pela manutenção das estradas na Bolívia.

O ex-funcionário departamental, segundo essas informações, fugiu para a cidade brasileira de Epitaciolândia, separada por uma ponte binacional de Cobija, capital de Pando, depois que o presidente boliviano Evo Morales decretou estado de sítio na região pela intensidade da violência ocorrida nos protestos opositores.

Nos choques de Pando, morreram 20 camponeses aliados ao Governo e dois funcionários departamentais, ligados à oposição autonomista.

Esses atos foram os mais graves dentro da onda de violência ocorrida em agosto e setembro, entre autonomistas opositores de Morales e partidários do presidente.

Na semana passada, a comissão enviada pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) apresentou um relatório em que classificou os fatos de "massacre planejado" contra os camponeses ligados ao Governo.

O documento da Unasul, questionado pela oposição que acusou a entidade de parcialidade, assinala que em Pando houve um "crime de lesa-humanidade" e que os culpados respondiam "a uma cadeia de comando que contava com funcionários do Governo departamental a serviço de uma organização criminosa".

A Organização das Nações Unidas deve apresentar seu próprio relatório sobre esses fatos que, segundo sua opinião, foram "uma violação em massa dos direitos humanos", segundo a representante na Bolívia do organismo, a japonesa Yoriko Yasukawa. EFE az/jp

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