Bolívia não implorará por benefícios dos EUA, diz ministro

Por Doug Palmer WASHINGTON (Reuters) - A Bolívia espera convencer os EUA na próxima semana a manter benefícios comerciais em vigor há vários anos mostrando ao governo norte-americano o quanto os bolivianos avançaram na luta contra as drogas, afirmou na terça-feira uma importante autoridade do país sul-americano.

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"Vamos para lá com números e dados que mostram por que essa nos parece ser uma decisão injusta", afirmou o ministro boliviano das Finanças, Luis Alberto Arce, a repórteres. "A Bolívia não vai ficar implorando nada."

O país e mais três outras nações andinas -- a Colômbia, o Peru e o Equador -- podem exportar a maior parte de suas mercadorias aos EUA sem pagar impostos conforme estipula um programa de preferência comercial em vigor há 17 anos. A região andina é fonte da maior parte da cocaína consumida no mundo.

No entanto, as relações entre os EUA e a Bolívia tornaram-se cada vez mais tensas desde que Evo Morales assumiu a presidência boliviana, em 2006.

No mês passado, Morales expulsou o embaixador norte-americano acusando-o de incentivar violentos protestos de rua. O governo dos EUA respondeu expulsando o embaixador boliviano.

O presidente norte-americano, George W. Bush, começou então a adotar medidas para suspender os benefícios comerciais da Bolívia devido ao que autoridades dos EUA descrevem como a falta de cooperação do país no combate às drogas.

Se o governo Bush cumprir sua ameaça, poderia provocar o corte de vagas de trabalho em setores bolivianos como os de produtos têxteis, de couro, de jóias e madeireiro, disse Arce. Esses setores dependem do acesso privilegiado garantido pela Lei de Promoção do Comércio Andino e da Erradicação de Drogas.

O ministro disse ter sido encarregado por Morales de liderar os esforços com vistas a salvar os benefícios comerciais. Arce deve depor em uma reunião a ser realizada na próxima semana pelo governo Bush para tratar da questão.

A Bolívia deve então mostrar como seus esforços de combate às drogas são positivos quando comparados com os de outros países e também argumentará que os EUA deveriam estar eles próprios esforçando-se mais para diminuir sua enorme demanda por narcóticos, disse Arce.

"Compreendemos claramente que a luta contra as drogas é uma questão de responsabilidade compartilhada", afirmou o ministro.

A Bolívia não revisará sua decisão de expulsar o embaixador norte-americano até depois das eleições presidenciais de 4 de novembro, nos EUA, disse Arce, que estava em Washington para participar de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

"Preferimos esperar pela eleição e, logo depois disso, retomar as relações diplomáticas com os EUA", afirmou.

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