Bolívia nacionaliza empresa telefônica e 4 petrolíferas

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta quinta-feira que o seu governo assumiu o controle da Entel, a principal companhia telefônica do país, e de outras quatro empresas de petróleo. Segundo a agência de notícias do governo, a Entel - que pertencia a Euro Telecom International, subsidiária do grupo italiano Telecom Italia - foi nacionalizada por decreto.

BBC Brasil |

Também por meio de decretos, o governo de Morales adquiriu a maioria acionária da petrolífera Chaco, que pertencia à British Petroleum, da Transredes, que era da britânica Ashmore e da anglo-holandesa Shell, e da CLHB, de capital alemão e peruano.

Já no caso da petrolífera Andina, o governo anunciou a compra de 50% das ações mais uma no valor de US$ 6 milhões, após "árduas negociações" com a espanhola Repsol YPF, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI).

A Repsol YPF manterá 48% das ações da Andina, que controla 18 campos de petróleo no país.

Resistência

A exemplo do que já fizera nos últimos dois anos, Evo Morales anunciou a nacionalização das empresas no 1º de maio, Dia dos Trabalhadores.

Morales tem dito que seu programa de nacionalização tem como objetivo conseguir "sócios e não patrões" na exploração dos recursos do país.

Mas muitas empresas estrangeiras com investimentos na Bolívia vêm resistindo às nacionalizações, se recusando a negociar com o governo.

Segundo a enviada especial da BBC Brasil à Bolívia, Marcia Carmo, a Entel, nacionalizada por decreto nesta quinta-feira, era uma das empresas que mais resistia ao processo de nacionalização de multinacionais no país.

Nos últimos meses, a empresa foi multada repetidas vezes pelo governo, que cobra uma dívida tributária de mais de US$ 25 milhões.

"Se nos atrasamos mais de dois anos (para nacionalizar), não foi por fraqueza ou por negligência, quero que saibam que tentamos dialogar, negociar com a Euro Telecom, os ministros se esforçaram, mas lamentavelmente não houve vontade", disse Morales ao anunciar o decreto de nacionalização.

Discurso

O presidente discursou para uma grande concentração de bolivianos que celebrava o Dia dos Trabalhadores na Praça Murillo, em La Paz. Em seguida, ele leu o decreto 29.544, que nacionaliza a empresa de telecomunicações.

A Chaco e a Transredes, que também se recusavam a negociar com o governo, foram nacionalizadas pelo decreto 29.541, que reivindica em nome do governo 50% mais uma das ações das duas empresas.

O governo já tinha 48% das ações das empresas antes da nacionalização, segundo a agência estatal de notícias boliviana.

Já no caso da CHLB, que havia sido privatizada na década passada, o decreto do governo boliviano nacionaliza 100% das ações da empresa.

"Desta maneira, está consolidada a chamada refundação da YPFB", disse o presidente boliviano.

"Temos dito que precisamos de sócios e não de patrões, na verdade precisamos de investimentos", acrescentou Morales. "O governo garantirá que as empresas estrangeiras que respeitam as normas bolivianas invistam, mas que invistam como sócias."
Ao falar sobre a Andina, Morales elogiou o governo espanhol nas negociações. "Estes acordos nos levam a ter maior confiança entre duas nações como Espanha e Bolívia, entre empresas e empresas", disse o líder boliviano.

Nos últimos dois anos, a Bolívia nacionalizou dezenas de companhias estrangeiras, entre elas duas refinarias da brasileira Petrobras.

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