Bolívia: La Paz pede que governadores reflitam sobre acordo

O governo da Bolívia pediu nesta terça-feira aos governadores da oposição que reflitam e decidam sobre a assinatura de um acordo para superar a crise política que abala o país.

AFP |

"Confiamos que refletirão nas próximas horas e assinarão o documento, que o governo (de La Paz) já firmou, para podermos implementar imediatamente o acordo", disse o vice-presidente Álvaro García Linera, ao responder ao governador de Tarija, Mario Cossío, que estimou que o diálogo está "agonizando".

Segundo García Linera, o documento foi obtido "em quatro dias de negociações" e é baseado "na vondade do governo de melhorar a distribuição do IDH (Imposto Direto aos Hidrocarbonetos) e de apoiar a vigência constitucional de uma autonomia departamental plena", como exigem os governadores da oposição.

O vice-presidente deixou claro que La Paz não recuará em sua decisão de manter o estado de sítio em Pando, na fronteira com o Brasil, onde 18 camponeses foram mortos em confrontos com grupos opositores.

Segundo García Linera, La Paz também não vai suspender a prisão do governador de Pando, Leopoldo Fernández, acusado de ignorar o estado de sítio.

O vice destacou que Fernández terá "todas as garantias para um processo legal".

Sobre o acordo, García Linera convocou os governadores a "dizer sim à Bolívia, sim as autonomias, sim a uma melhor distribuição do IDH e sim ao documento, do contrário, será apostar no confronto, na violência e na divisão dos bolivianos".

Mais cedo, Cossío denunciou a falta de condições para o prosseguimento das negociações afirmando que o diálogo "está agonizando".

O governador de Tarija, que falou em nome dos dirigentes de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca, acusou La Paz de bloquear as negociações de paz ao decretar o estado de sítio em Pando.

A Bolívia está afundada em uma grave crise política, com cinco dos nove departamentos do país exigindo autonomia, maior participação nos royalties do petróleo e gás e rejeitando a nova Constituição.

rb/LR

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