Bolívia inicia trâmite para o referendo constitucional

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - A Bolívia iniciou na terça-feira a contagem regressiva para o referendo constitucional, aprovado no Congresso sob a pressão de dezenas de milhares de manifestantes favoráveis ao governo de Evo Morales, que espera aprovar a nova Constituição para aprofundar as reformas socialistas no país.

Reuters |

Morales, que abriu mão de uma segunda reeleição para facilitar o acordo legislativo, sancionou a lei da convocação apenas uma hora depois da sua aprovação na sessão conjunta da Câmara e do Senado. A votação popular deve acontecer em 25 de janeiro.

A convocação do referendo motivou uma enorme festa na praça central de La Paz, depois de uma nova onda de pressão social que ajudou Morales a superar a resistência dos partidos de direita, que conseguiram na negociação fazer mais de cem emendas à Carta.

Dezenas de milhares de simpatizantes de Morales caminharam 200 quilômetros até chegar na segunda-feira a La Paz para pressionar o Congresso.

Em discurso após sancionar a lei, Morales disse: "A partir deste momento, todos começamos a campanha para aprovar com 100 por cento a nova Constituição, especialmente nas comunidades camponesas".

O presidente sugeriu ainda que as cidades "se somem ao movimento para refundar a Bolívia", pois o processo "une todos perante uma nova Constituição."

A nova carta amplia o acesso da maioria indígena aos poderes Legislativo e Judiciário, reconhece a autonomia dos Departamentos, aumenta o papel do Estado na economia e promove uma reforma agrária.

A autonomia regional era uma reivindicação da oposição, que governa regiões ricas em gás e petróleo, no leste do país.

O referendo de janeiro será a primeira vez que os bolivianos têm a oportunidade de aceitar ou rejeitar uma Constituição. Será a segunda consulta nacional em menos de seis meses, pois em agosto a população foi às urnas confirmar o mandato de Morales e de diversos governadores.

Se a nova Constituição for aprovada, a Bolívia terá eleições gerais antecipadas em dezembro de 2009, nas quais Morales poderá pleitear um novo mandato.

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