Bolívia: governo alerta para uso da força em regiões rebeldes

O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, que exerce a presidência em função da viagem de Evo Morales à Líbia e ao Irã, advertiu neste sábado que poderá usar a força pública e a justiça nas regiões rebeldes onde foram registrados focos de violência.

AFP |

"É um processo de radicalização fascistóide e criminosa. Temos de avaliar se não estamos passando para um nível superior que obrigue a usar a força pública à justiça, a trabalhar de maneira mais contundente frente ao que já seria a gestação de um grupo terrorista", afirmou o presidente em exercício, em entrevista coletiva.

García Linera se referia, assim, aos confrontos da última sexta-feira, na cidade de Santa Cruz (leste), onde grupos radicais ligados ao poderoso comitê cívico-empresarial e simpatizantes do governo esquerdista se enfrentaram, deixando vários feridos, de acordo com imagens de redes privadas de TV.

Nessa região, que é a mais rica da Bolívia e onde o presidente enfrenta maior resistência, jovens opositores lutaram com pedras e pedaços de pau, para evitar que chegassem à Praça de Armas os partidários de Evo Morales. O grupo queria festejar a convocação, na quinta-feira, para um referendo de aprovação de uma nova Carta Magna.

O vice-presidente boliviano insistiu: "vamos avaliar (esses fatos) e, se for assim, isso já requer outro tipo de defesa do Estado".

García Linera classificou de "terrível" a agressão de "humildes cidadãos, jovens e senhoras", em um episódio que "envergonha o país, a região", e pediu uma investigação da Procuradoria da República.

Os primeiros focos de violência política, após a decisão do presidente indígena de convocar para 7 de dezembro o referendo constitucional, foram registrados em Santa Cruz e na localidade de Villamontes, no sudeste, duas das cinco regiões opositoras, que anunciaram resistência civil ao decreto de Morales.


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