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Bolívia: Explosões foram provocadas com incêndio intencional

A primeira explosão num gasoduto que abastece o mercado brasileiro foi provocada, nesta quarta-feira, por um incêndio intencional, segundo comunicado do Ministério boliviano de Hidrocarbonetos. Primeiro, informou-se, uma válvula foi fechada, depois destruída uma chave de segurança, que provocou forte escape de gás e levou alguém a colocar fogo na área inflamável.

BBC Brasil |

"O fato criminoso ocorreu às 5h00 da manhã deste 10 de setembro na região de Palmar Grande, Yatebute, (no departamento de Tarija), onde um grupo de vândalos fechou a válvula SDV-3 de GASYRG (Gasoduto Yacuíba-Rio Grande), destruindo a chave de segurança e provocando a forte saída de gás. Depois, uma faísca provocada intencionalmente causou o incêndio de grandes proporções", afirma-se.

A forte pressão de gás nesta válvula fechada, informa-se, provocou uma segunda explosão, no mesmo gasoduto, às 15h00, nas proximidades da região de Yaguacua, em Sanandita, distante cerca de 25 quilômetros do primeiro episódio.

"Um grande estrondo provocou alarme generalizado nas populações locais e os moradores fugiram de suas casas", diz o texto. De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério, no fim da noite de quarta-feira, o incêndio continuava. No comunicado, não se descartou que novos incêndios e explosões poderiam ocorrer nas próximas horas.

"Este tipo de atentado poderia ter resultado num acidente fatal tanto para os intrusos quanto para os moradores da região", advertiu a empresa transportadora Transierra, num balanço da situação à Superintendência de Hidrocarbonetos.

A empresa é a responsável pela administração deste gasoduto. O ministro de Hidrocarbonetos, Saúl Avalos, condenou as ações, dizendo: "Este é um atentado contra o processo de nacionalização de hidrocarbonetos".

O governo responsabilizou os "prefeitos (governadores) e "cívicos" (como são chamados seus apoiadores) pela explosão no gasoduto.

O Estado de Tarija é um dos cinco onde estão ocorrendo protestos contra o governo de Evo Morales por causa, entre outros motivos, do corte no repasse de verbas do setor petroleiro para os governos estaduais e contra a nova Constituição do país.

Há semanas que grupos ligados à oposição vêm realizando uma série de protestos e entrando em choque com a polícia nos Departamentos de Santa Cruz, Chuquisaca, Beni, Pando e Tarija.

O maior protesto até agora foi na cidade de Santa Cruz, onde grupos antigoverno ocuparam escritórios do governo, uma estação de TV e uma companhia telefônica, ambas estatais.

Redução
De acordo com informações oficiais, o Brasil poderá sentir a redução no envio de gás entre as próximas 36 e 48 horas. As explosões provocaram redução maior a que foi anunciada inicialmente, podendo ser acima do 10% do total enviado ao mercado brasileiro, com a baixa de mais de quatro milhões de metros cúbicos diários - e não de três milhões.

A Bolívia envia diariamente cerca de 31 milhões de metros cúbicos de gás ao Brasil, e as indústrias de São Paulo são as principais consumidoras do produto.

Segurança
O governo Morales está preocupado, segundo assessores, com a segurança dos dutos que levam gás para o Brasil e para a Argentina.

A extensão destes dutos os tornaria "vulneráveis" às ações dos manifestantes, já que seria difícil para as forças do governo garantir a segurança nos cerca de oitocentos quilômetros que vão dos campos de Tarija até a fronteira com o Brasil e os outros pelo menos 500 quilômetros que partem desde (departamento) de Santa Cruz.

O gasoduto, segundo fontes da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos, que reúne as empresas do setor, foi planejado para ter "quase todo tipo de segurança", mas não se imaginou que ele pudesse ser afetado da forma que foi agora.

Parte destes dutos são debaixo da terra, mas outros quilômetros são visíveis, de acordo com autoridades bolivianas e representantes da oposição que conhecem o sistema de perto.

No discurso que realizou no Palácio Queimado, para anunciar o pedido de saída do embaixador dos Estados Unidos no país, Morales disse ainda: "É obrigação do governo nacional e do povo boliviano defender a unidade nacional".

Nas últimas horas, movimentos sociais, que apóiam a gestão de Morales, anunciaram o "cerco" ao departamento de Santa Cruz, epicentro da oposição ao governo central.

O protesto é uma reação contra as manifestações dos opositores de Morales iniciadas há duas semanas. A oposição, reunida nos chamados "comitês cívicos", anunciou a "ocupação" de praticamente todos os organismos do governo de Morales na chamada "meia lua" - departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Estima-se que mais de 50 pessoas - civis e militares - saíram feridos na terça e quarta-feiras.

A oposição reclama contra redução no repasse de verbas do setor petroleiro para suas regiões.

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