Bolívia envia tropas para Estados opositores

As Forças Armadas da Bolívia enviaram, nesta sexta-feira e neste sábado, tropas para os departamentos (estados) governados pela oposição - Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando -, segundo confirmou à BBC Brasil a assessoria do Ministério da Defesa, em La Paz. O objetivo, informaram, é proteger os serviços básicos, os campos de petróleo e o fluxo do trânsito, bloqueado em vários pontos, entre outras medidas.

BBC Brasil |

Alegando motivos de segurança, o Ministério não informou o total de soldados enviados para esta região e se eles chegaram ao centro das capitais, ou se estarão nas redondezas.

Nestes departamentos, que formam a chamada "meia lua", manifestantes ocuparam, nos últimos dias, as alfândegas dos aeroportos, além de instituições públicas do governo central, como o Instituto de Reforma Agrária, de arrecadação de impostos, de telefonia e correios.

Na sexta-feira, em Santa Cruz de la Sierra (capital de Santa Cruz) o Conselho Departamental - equivalente a Assembléia Legislativa -, aprovou a designação de novas autoridades para os organismos públicos do governo central.

Também foi aprovada a "incorporação" destas instituições na estrutura do departamento. A Prefeitura de Santa Cruz informou que as 24 instituições ocupadas entrarão num "processo" de transferência para o departamento.

Boatos
A situação contribuiu para os rumores de que o presidente Evo Morales decretaria estado de sítio em Santa Cruz, além de Tarija e Beni, para reverter este quadro.

Na sexta-feira, o governo Morales decretou estado de sítio em Pando, onde 16 pessoas morreram em enfrentamentos, na quinta-feira.

O número inicial foi de oito mortos, mas neste sábado o ministro de Governo, Alfredo Rada, informou o novo dado.

Num pronunciamento neste sábado, em La Paz, Morales descartou que decretará estado de sítio nestes outros departamentos, mas fez uma ressalva.

"Se os prefeitos devolverem as instituições, se deixarem de atentar contra o patrimônio do Estado e o povo, que são gasodutos e refinarias, não há porque pensar em ampliar o estado de sítio para outras regiões".

Reunião
Morales reiterou a reunião marcada para este domingo com prefeitos (governadores) da oposição.

Na Prefeitura de Santa Cruz, no entanto, informaram que ainda não foi definido se irão os três - o prefeito de Pando disse que não irá - ou se será um representante do grupo.

Em Pando, o prefeito Leopoldo Fernández disse que não aceita o estado de sítio. "Isso não era necessário. Só gera mais violência."
Ao mesmo tempo, emissoras locais de rádio informaram que foram registrados novos confrontos, neste sábado, no aeroporto de Cobija, capital de Pando, onde soldados do Exército ocuparam o local.

Ali, nos enfrentamentos de sexta-feira, um pastor evangélico foi ferido e um soldado morreu.

Ameaça de invasão
A situação não parece dar trégua na Bolívia.

O presidente da União Juvenil Cruceña, David Sejas, disse à BBC Brasil que venezuelanos e cubanos que vivem nesta região opositora, têm até segunda-feira para deixar o país.

"Na segunda, vamos começar a invadir embaixadas, consulados e outros lugares onde estão os cubanos e os venezuelanos. Vamos varrer o comunismo da nossa região", afirmou.

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