Por David Mercado COPACABANA, Bolívia (Reuters) - Arqueólogos começaram a realizar escavações em um antigo local de cerimônias do leste da Bolívia a fim de descobrir mais sobre os rituais e o dia-a-dia de sociedades existentes a até 3.000 anos atrás.

Moradores do local, a cidade de Copacabana, um pólo turístico situado à beira do lago Titicaca, descobriram os artefatos antigos quando limpavam um terreno para a construção de um novo mercado.

Muitas das tumbas, potes de barro e jóias a serem escavadas pertenciam aos bem documentados povos tiwanaku e inca, que viveram na região há centenas de anos.

No entanto, alguns artefatos datam de até 3.000 atrás, quando uma tradição religiosa pouco conhecida chamada yayamama teria existido nos Andes.

'Eles fizeram esculturas (em pedra) com um homem de um lado e uma mulher do outro', afirmou o arqueólogo Sergio Chávez, que trabalha para a Universidade Central Michigan, dos EUA.

As esculturas, que também apresentam cobras com duas cabeças e desenhos geométricos, continuam a ser reverenciadas por grupos indígenas locais.

Os yayamama construíram uma série de pequenos tempos junto ao lago, cada um distante do outro uma caminha de duas horas, afirmou Chávez à Reuters. Usando um chapéu parecido com o de Indiana Jones, o pesquisador disse que estudará os artefatos distribuídos em vários extratos a fim de compreender melhor como evoluíram as diferentes culturas andinas.

'A começar pelo período mais antigo, temos os yayamama. E gradualmente surgiram os tiwanaku, cerca de mil anos atrás, os incas, o período colonial', afirmou Chávez, um peruano.

Do lado de fora da barraca dele, um grupo de índios aimará treinados pelo arqueólogo limpavam a terra ao redor das tumbas e dos grandes potes de barro em busca de artefatos menores.

'Há muito do que se orgulhar aqui. E nós temos de encontrar a nossa identidade nessas coisas. A fim de compreender o presente e planejar o futuro, temos de olhar para o passado', disse.

Mas o arqueólogo afirmou que nem todos em Copacabana, localizada perto da fronteira com o Peru, encontram-se tão empolgados com o passado quanto ele.

Os moradores da cidade querem concluir a construção do mercado iniciada em junho. E Chávez diz sentir-se pressionado.

'Tivemos de nos esforçar muito para mostrar a arquitetura, os artefatos, a fim de que as pessoas percebessem o grande valor cultural disso', acrescentou.

(Reportagem adicional de Eduardo Garcia)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.