Bolívia e Venezuela voltam à mira dos EUA por não cooperar contra o tráfico

Céline Aemisegger. Washington, 27 fev (EFE).- O Governo dos Estados Unidos criticou hoje a falta de cooperação da Venezuela e da Bolívia na luta contra as drogas, o que não representa uma surpresa, mas um novo golpe à imagem de Caracas e La Paz na comunidade internacional.

EFE |

Os EUA fizeram estas observações no relatório elaborado pelo Departamento de Estado sobre a luta antinarcóticos e sobre a cooperação de outros países durante o ano passado.

Este reporte servirá de base para o Governo do presidente Barack Obama decidir, em setembro, se suspende a ajuda econômica às nações em sua "lista negra", que em 2008 incluiu Venezuela e Mianmar, e pela primeira vez Bolívia.

No extenso documento, o Departamento de Estado também advertiu que a generalizada corrupção nos países centro-americanos, que constituem uma importante era de transporte de drogas, prejudica o combate ao tráfico.

O Governo dos EUA está preocupado com o narcotráfico e a violência associada ao crime organizado no México, e apesar de elogiar seus esforços "sem precedentes" na luta antidrogas, também alertou que a corrupção nas instituições prejudica o combate contra os cartéis de traficantes.

Durante a apresentação do relatório, o secretário de Estado adjunto para a luta antinarcóticos, David Johnson, reconheceu que é "essencial" que os Estados Unidos e outros países consumidores de entorpecentes reduzam a demanda para enfraquecer os incentivos que fazem do narcotráfico um negócio lucrativo e difícil de desmantelar.

O mesmo se aplica às drogas provenientes do Afeganistão, que continuou sendo o maior produtor mundial de ópio, apesar do cultivo da papoula cair 19%.

Os Estados Unidos consideram que o Governo afegão coopera em geral com a comunidade internacional para erradicar o narcotráfico, mas assinala que "é necessária maior vontade e um esforço político, em níveis central e localizado".

Na América Latina, as críticas mais duras se dirigiram à Venezuela e à Bolívia, países com as quais os Estados Unidos mantém difícil relação e que se agravou no ano passado com a expulsão mútua de seus embaixadores.

O Departamento de Estado afirmou que Caracas, que suspendeu em 2005 a cooperação antidrogas com os EUA, rejeitou cooperar em nível bilateral em quase todas as questões de narcóticos.

Esta falta de cooperação contribui em grande parte às relações bilaterais "frias" entre ambas as nações, apontou.

A recusa de Caracas a cooperar e o sucesso da Colômbia na luta antidrogas levou os traficantes a desviar suas rotas rumo a Venezuela, segundo o documento.

De fato, o Governo americano afirma que, desde 2002, o volume estimado de drogas que atravessa o território venezuelano quintuplicou.

Apesar desta situação, os EUA se mostram abertos a "retomar a cooperação com a Venezuela" nesta matéria, sempre que o país latino-americano "dê passos concretos que demonstrem seu compromisso".

Quanto à Bolívia, destacam que é um ponto-chave de passagem da cocaína procedente do Peru e que permanece como terceiro produtor dessa droga, além de manifestar sua preocupação com a crescente influência de cartéis colombianos e mexicanos neste país.

Além disso, advertiu que a saída "forçada" dos agentes da agência antidrogas americana (DEA) da Bolívia levará os programas antinarcóticos a sofrerem "uma deterioração séria".

Os Estados Unidos suspenderam em dezembro os benefícios tarifáriao pela falta de cooperação da Bolívia na luta antinarcóticos.

Neste contexto, o Departamento de Estado pediu ao presidente Evo Morales que permita o retorno da DEA ao país e que "reverta" sua política de expansão dos cultivos de coca.

Em contraste a estas críticas, o Governo americano felicitou em seu relatório a Colômbia, que bateu um recorde de apreensões de cocaína; o Peru, por superar seu objetivo de erradicação de coca; e o Equador.

Ao mesmo tempo, recomendou a Bogotá que fortaleça "sua presença em áreas de conflito enquanto melhora a capacidade institucional para fornecer serviços e oportunidades econômicas" e, ao Equador, que aumente o patrulhamento perto da fronteira com a Colômbia, para melhorar o combate às quadrilhas de traficantes. EFE cai/jp

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