Bolívia diz ter evitado plano para matar Morales

LA PAZ - O governo da Bolívia disse na quinta-feira que conseguiu abortar um plano para matar o presidente Evo Morales, numa operação que resultou na morte de três supostos mercenários e na prisão de dois outros.

Reuters |

A notícia, que deve aumentar a tensão política no país, foi divulgada após um violento confronto durante a madrugada entre policiais e supostos "terroristas" em um hotel no centro de Santa Cruz (leste), reduto da oposição de direita.

Na véspera, a residência do cardeal Julio Terrazas, presidente da Conferência Episcopal Boliviana, sofreu um atentado com dinamite. No começo da semana, Morales já havia dito que havia um novo plano para assassiná-lo.

"Documentos apreendidos de maneira preliminar falam dos preparativos para um magnicídio, um atentado contra a vida do presidente e do vice-presidente da República", disse o presidente interino Álvaro García Linera.

Ele qualificou o grupo desbaratado como "um bando terrorista de mercenários estrangeiros e bolivianos" com possíveis conexões com outras regiões do país e vínculos políticos ainda não esclarecidos.

Rádios e TVs disseram que os supostos terroristas mortos são um romeno, um irlandês e um boliviano, e que os presos são um húngaro e um boliviano. O primeiro relato policial dava conta da morte de dois húngaros.

Na Venezuela, onde participa da cúpula da Aliança Bolivariana para a América Latina e o Caribe (Alba), Morales acusou a oposição pelo complô.

"Na Bolívia, no ano passado, a direita quis me tirar com o voto do povo em um referendo revogatório, mas fracassou. Depois tentaram um golpe de estado civil, mas fracassaram. Agora estavam planejando dar tiros, estão fracassando", acusou Morales, que também disse haver irlandeses no grupo.

O caso marca o início de uma longa campanha política até as eleições gerais de dezembro, em que Morales buscará um novo mandato.

Setores da oposição se apressaram em afastar qualquer ligação com os supostos terroristas e acusaram o governo de fazer uma "montagem", lembrando que no passado Morales já fez várias acusações semelhantes, sem apresentar provas.

O governador oposicionista de Santa Cruz, Rubén Costas, disse indignado que o governo havia "preparado" a apresentação de um suposto arsenal dos "terroristas", e protestou pelo fato de a operação ter sido conduzida por agentes enviados de La Paz, e não pela polícia local.

O senador direitista Luis Vásquez afirmou que "é esquizofrenia do governo tentar politizar o tema e levá-lo a uma confrontação". O presidente interino García pediu "serenidade e colaboração" da oposição.

De acordo com o comandante policial Hugo Escobar, há suspeitas de que o grupo desarticulado foi responsável pelo atentado contra a casa do cardeal e por outros incidentes ocorridos nos últimos meses em Santa Cruz.

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