Bolívia debate legitimidade do referendo

Por Pav Jordan SANTA CRUZ (Reuters) - As autoridades do Departamento de Santa Cruz comemoraram na segunda-feira a aprovação da autonomia regional do referendo do domingo, enquanto o governo boliviano disse que a elevada abstenção tira sua legitimidade.

Reuters |

O resultado --84 por cento a favor da autonomia, após um terço da apuração-- é uma derrota para o programa reformista do presidente Evo Morales. '[Foi] um completo sucesso para a democracia', disse a corte eleitoral de Santa Cruz, que organizou a votação.

Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas e um homem morreu em confrontos entre governistas e opositores no dia da votação.

A corte eleitoral e o governo central concordam que a abstenção esteve entre 36 e 40 por cento, o que segundo as autoridades nacionais é suficiente para anular o referendo.

'O que é notável aqui é o nível fenomenal de abstenção', disse Juan Ramón Quintana, chefe de gabinete de Morales. 'Esta votação foi ilegal. Não deveríamos citar quanta gente se absteve?'

A votação teoricamente poderia permitir que as autoridades de Santa Cruz, a região mais rica da Bolívia, tivessem maior controle sobre seus recursos naturais, seu Judiciário e sobre os impostos.

Em discurso na noite de domingo, Morales disse que o referendo foi ilegítimo, mas que continua disposto a dialogar com os dirigentes conservadores de Santa Cruz e de três outros Departamentos das planícies orientais que pretendem realizar referendos semelhantes nos próximos meses.

O referendo de Santa Cruz agrava a divisão secular entre o Altiplano, onde há maior presença indígena, e as terras baixas, com maior população branca.

Mas muitos pobres de Santa Cruz apóiam Morales, primeiro indígena a governar a Bolívia, e acham que a aprovação da autonomia só vai beneficiar os ricos e aumentar as divisões.

'As coisas só vão piorar agora, porque um lado diz que ganhou, e o outro diz que ganhou também. Haverá mais conflito agora', disse Rodrigo, 22 anos, vendedor de material de escritório no bairro mais pobre de Santa Cruz de la Sierra.

(Reportagem adicional de Alejandro Lifschitz)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG