Bolívia dá 3 meses para agência antidrogas dos EUA deixar o país

LA PAZ (Reuters) - Os membros da agência norte-americana de combate ao narcotráfico (DEA) possuem três meses para sair da Bolívia conforme determinou o presidente do país, Evo Morales, afirmou na terça-feira um jornal boliviano. O prazo começou a correr a partir do sábado passado, dia 1o de novembro, quando, em virtude da publicação oficial da decisão do governo, o Ministério das Relações Exteriores entregou um comunicado formal à Embaixada dos EUA, disse o diário La Razón, citando declarações do chanceler da Bolívia, David Choquehuanca.

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Morales afirmou no sábado ter decidido suspender por prazo indeterminado as atividades da DEA no país porque os membros da agência estariam mais interessados em realizar atividades de espionagem política do que de combate ao narcotráfico.

"Temos um convênio com os EUA. E prevê-se nesse convênio que, no caso de algum país decidir cancelar (o acordo), então teria três meses de prazo para obrigar o outro país a deixar seu território", afirmou Choquehuanca, segundo o jornal.

No fim de semana passado, o ministro boliviano do Governo, Alfredo Rada, anunciou também que deveriam ser adotadas "medidas diplomáticas" em virtude da decisão presidencial de paralisar a contribuição com a DEA.

Rada indicou que, apesar de não se tratar de uma expulsão da agência, os representantes da DEA teriam de sair da Bolívia.

"Quando se fala da suspensão das atividades de um órgão estrangeiro na Bolívia, claro que essas pessoas, os agentes que trabalham para esse órgão estrangeiro, não têm motivos para ficar na Bolívia", disse.

"Eles terão, portanto, de regressar a seu país ou ao país que os EUA escolherem como palco de sua nova missão", acrescentou o ministro.

A suspensão das atividades da DEA ocorreu menos de dois meses após Morales ter expulsado o embaixador norte-americano no país, Philip Goldberg, acusando-o de incentivar uma conspiração direitista.

O dirigente boliviano, um aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que aguardará pela mudança de governo em Washington antes de restabelecer as relações entre a Bolívia e os EUA.

(Por Carlos Alberto Quiroga)

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