Bolívia condena ex-ministros e militares à prisão por matança em 2003

Dois ministros e cinco militares do governo Sánchez de Lozada receberam penas de 3 a 15 anos por 65 mortes na 'guerra do gás'

AFP |

A Corte Suprema de Justiça da Bolívia sentenciou nesta terça-feira a penas de 3 a 15 anos dois ministros e cinco comandantes militares do governo de direita do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada pela morte de 65 pessoas em 2003.

O ex-governante, que fugiu do país para os EUA depois de deposto por uma revolta popular contra a exportação de gás natural para o Chile, não foi incluído, por enquanto, na fase processual. Um pedido de extradição contra ele tramita desde novembro de 2008.

A justiça condenou a 15 anos e seis meses de prisão os generais reformados Roberto Claros Flores, ex-comandante das Forças Armadas, e Juan Véliz, ex-comandante do Exército. O general Oswaldo Quiroga e o ex-comandante da Armada Luis Aranda, um almirante também reformado, foram sentenciados a 11 anos, enquanto o general Gonzalo Rocabado a 10 anos.

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Bolivianos protestam em La Paz em 16/10/2003. Corte boliviana condenou nesta terça-feira várias autoridades graduadas à prisão por repressão a manifestações
Os ex-ministros do Trabalho Adalberto Kuajara e do Desenvolvimento Sustentável Erick Reyes Villa foram condenados a 3 anos cada pelo magistrado Angel Irusta.

A decisão foi celebrada pelas famílias das vítimas, que se reuniram do lado de fora do tribunal de justiça, na cidade de Sucre, a 600 km a sudeste de La Paz, onde faziam vigília havia uma semana. "Foi um processo muito difícil. Muitas pessoas julgadas fugiram do país", afirmou o advogado das vítimas, Milton Mendoza, para quem a sentença "servirá de base para a extradição de Sánchez de Lozada" e de seus ex-ministros.

Entre os ex-colaboradores de Sánchez de Lozada que deixaram o país estão Carlos Sánchez, Jorge Berindoague e Guido Añez, que foram para os EUA. Otros, como Jorge Torres, Mirtha Quevedo, Dante Pino, Javier Tórrez, escolheram o Peru como refúgio político, enquanto Hugo Carvajal foi para a Espanha.

O ex-comandante das Forças Armadas general Juan Véliz reiterou sua inocência. Em comunicado enviado à AFP, ele disse que "não apertou o gatilho nem acendeu o rastilho" das revoltas sociais, "jamais ordenou a morte de ninguém, (...) não planejou nem participou de nenhuma ação que possa ser qualificada de genocídio ou causar a morte de compatriotas".

O promotor Mario Uribe, que pediu em julho 30 anos para os dois ex-ministros (Reyes Villa e Kuajara) e 25 anos para os cinco militares reformados, saudou a decisão, mas evitou se pronunciar sobre o tempo da condenação. "Faremos uma avaliação; vamos guardar silêncio e conhecer a fundamentação do tribunal a respeito de cada um dos processados e dos crimes de que são acusados", disse.

O Ministério Público apresentou 328 depoimentos e 4,9 mil provas contra o ex-presidente e seus ministros acusados de genocídio, crimes contra os direitos humanos e delitos econômicos. Segundo Mario Uribe, os sete condenados que estão no país cumprirão a condenação na penitenciária da cidade de Sucre.

A revolta popular, conhecida no país como a "guerra do gás", foi concluída com a renúncia de Sánchez de Lozada em outubro de 2003, depois de várias semanas de confrontos entre civis e forças militares e policiais.

Deixou o cargo a seu vice-presidente, o jornalista Carlos Mesa, que semanas antes havia se afastado politicamente de Sánchez de Lozada. Logo em seguida, ele congelou a exportação de gás para o Chile.

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