Bolívia começa diálogo político apoiado por comunidade internacional

Javier Aliaga. Cochabamba (Bolívia), 18 set (EFE).- O presidente Evo Morales e a oposição da Bolívia começaram hoje um promissor diálogo político, apoiado pela comunidade internacional, sobre a crise que colocou o país à beira do precipício nas últimas semanas.

EFE |

Morales e os governadores regionais opositores começaram sua reunião em um centro de convenções da cidade de Cochabamba, na presença de inúmeros observadores e representantes de instituições internacionais e locais.

O diálogo começou por volta das 9h (horário de Brasília) com "muito boa vontade" para solucionar o conflito em reunião a portas fechadas da qual, segundo o Governo, as partes não sairão até alcançarem acordos.

As questões centrais são a nova constituição política do Estado patrocinada por Morales, os estatutos autonomistas das regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija e a divisão das rendas obtidas com o petróleo entre o Estado e os departamentos do país.

O porta-voz de Morales, Ivan Canelas, ilustrou hoje a situação crítica que levou o presidente e seus opositores a se sentarem em uma mesma mesa para negociarem com a frase o país estava à "beira do precipício".

Esta é a terceira vez este ano em que Morales e seus opositores iniciam conversas para tentarem um acordo, embora agora sob o impulso da última cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que se reuniu esta semana em Santiago do Chile para analisar a crise boliviana.

Além da Unasul, o diálogo boliviano tem como observadores delegados da Organização dos Estados Americanos (OEA), das Nações Unidas, da União Européia, de vários países amigos da região e das igrejas Católica e Protestante.

O conflito boliviano ganhou força novamente na última semana com o massacre de 15 pessoas durante um confronto de partidários e opositores de Morales na região amazônica de Pando, que hoje vive pelo sexto dia sob o estado de sítio.

Foi o pior momento da onda de violência e protestos que começou há quase um mês nos departamentos de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija, cujos líderes reivindicam um regime autônomo e rejeitam frontalmente as reformas políticas e econômicas de Evo Morales.

"Na Bolívia, às vezes dizemos que estamos acostumados aos conflitos e a chegar à beira do precipício para começar a dialogar.

Acho que é o que está acontecendo", declarou Canelas.

O funcionário afirmou que "quando quase tudo está perdido nasce a esperança" e é possível manter a fé em que as soluções para o conflito "vão se registrar no menor tempo possível".

Nas primeiras horas do encontro, Morales e seus opositores fizeram uma exposição de suas posturas e debateram sobre como se trabalhará daqui para a frente, sem debater os temas de fundo por enquanto.

O mais provável é que se formem três comissões de trabalho, como anteciparam fontes oficiais.

Uma comissão revisará os temas institucionais, outra tratará de assuntos constitucionais e autonomias e outra será sobre temas econômicos.

Após o meio dia local, Morales abandonou a reunião por algumas horas para assistir à assinatura de um convênio em matéria de hidrocarbonetos em La Paz, e se reincorporou depois às sessões em Cochabamba.

O incidente do dia foi provocado pela prisão de um jovem que conseguiu entrar nos jardins da sede das reuniões para pedir que se inicie um julgamento contra o governador regional de Pando, Leopoldo Fernández, que está detido, e exigir que os movimentos sociais sejam parte das conversas.

Outras 20 pessoas protestaram também com as mesmas demandas nas proximidades da sede. EFE ja/fal

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