Bolívia começa a julgar ex-presidente e ex-ministros por mortes

LA PAZ - A Corte Suprema da Bolívia iniciou na segunda-feira um aguardado julgamento por genocídio contra o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, 11 ex-ministros e 5 ex-comandantes militares. O debate sobre o mérito, porém, ainda não começou devido a um recurso impetrado por um dos réus.

Reuters |

Sánchez de Lozada e os demais réus são acusados pela morte, em 2003, de 67 manifestantes na localidade de El Alto, vizinha a La Paz, durante os protestos que provocaram a queda do então presidente e sua fuga para os EUA, onde ele permanece foragido.

Pelo menos 200 vítimas da chamada "guerra do gás", em outubro de 2003, assistiram em Sucre a primeira audiência do julgamento, cujo preâmbulo provocou tensões políticas entre La Paz e Washington, em meio a pedidos de extradição da Bolívia contra o ex-presidente e dois de seus colaboradores.

Mais recentemente, houve também atritos da Bolívia com o Peru por causa da concessão de asilo a três ex-ministros que estão sendo julgados.

O presidente Evo Morales, que na época em que era deputado apresentou a primeira acusação contra Sánchez de Lozada, há pouco mais de cinco anos, "acompanha o processo com suma atenção e espera que a Justiça por fim faça justiça", disse a jornalistas o porta-voz governamental Iván Canelas.

A imprensa local também disse que Yerko Kukoc, um dos 11 ex-ministros envolvidos, apresentou de surpresa um recurso, cujos argumentos não foram divulgados, e que isso obrigará a uma interrupção de pelo menos dois dias.

Parentes de manifestantes mortos e dezenas de pessoas que ficaram feridas durante os protestos de 2003 estavam no plenário da Corte na segunda-feira e protestaram contra o recurso apresentado por Kukoc.

"Estamos diante de uma amostra do duplo discurso de alguns acusados, que por um lado dizem estar dispostos a se submeter à Justiça, mas ao mesmo tempo interpõem demandas que só têm um propósito dilatório", disse a jornalistas o promotor Milton Mendoza.

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