Bolívia: cinco governadores pedem eleições antecipadas

Cinco governadores de oposição da Bolívia rejeitaram o referendo proposto pelo governo para o dia 10 de agosto e afirmaram que há necessidade de convocar eleições gerais antecipadas. Os governadores são contra a consulta convocada pelo governo, na qual os eleitores poderiam aprovar ou revogar o mandato do presidente Evo Morales e dos governadores dos nove Departamentos (Estados) bolivianos.

BBC Brasil |

Eles pedem o adiantamento da renovação dos atuais mandatos, que vencem no dia 22 de janeiro de 2011.

Se as eleições antecipadas realmente ocorrerem, os atuais ocupantes dos cargos não poderão ser candidatos, incluindo o presidente e os governadores, já que não existe a possibilidade de reeleição vigente na Bolívia.

A proposta dos governadores está em uma carta enviada nesta segunda-feira para o presidente Morales, na qual pedem também a suspensão de uma reunião marcada para o dia 1º de julho, para tentar chegar a um acordo nacional.

Se Morales se negar a participar do diálogo "o convocaremos a realizar a consulta popular para saber qual das visões de país a Bolívia quer, um cenário no qual propomos que o melhor é a convocação de eleições gerais, para que o povo acabe com esta contradição", afirma o documento.

Autonomia

O pedido de eleições gerais antecipadas surgiu logo depois que quatro Estados (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) aprovaram seus estatutos autônomos em referendos regionais, um procedimento que não foi reconhecido pelo governo nacional.

EFE
 O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, que também é de oposição, se juntou aos governadores destes quatro Estados.

Os governadores, reunidos em Tarija, garantiram também que nas regiões partidárias da autonomia não vai ocorrer o referendo convocado pelo governo para o dia 10 de agosto.

Eles afirmam que nestas regiões os estatutos de autonomia já foram aprovados e que, por isso, não vão se submeter à regra nacional, a não ser, que a "convocação se ajuste aos estatutos de autonomia aprovados pelo voto soberano, que outorgou autonomia aos ditos Estados", segundo a carta.

Golpistas

O ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, afirmou que os governadores do Estado são golpistas e pediu ao Congresso a instauração de um inquérito contra estes governadores.

"No contexto dos debates dos governadores, triunfou a ala golpista. E, frente a esta ala golpista, deve triunfar a lei", disse Quintana em uma entrevista coletiva.

"Este plano dos governadores é um golpe baixo contra o Parlamento. O Parlamento Nacional deve instaurar no menor tempo possível um inquérito de responsabilidades contra estes governadores, que, por consumar suas aspirações caprichosas, mesquinhas e de curto prazo, pretendem levar o país à desintegração", acrescentou.

A crise política na Bolívia parece cada vez mais longe de solução, com governo nacional e governadores se recusando a dialogar. O ministro Quintana, por exemplo, nem citou a proposta de negociação feita pelos governadores.

Reconciliação

Depois da aprovação da autonomia em quatro Estados, os governadores de oposição disseram que "em breve seremos cinco, seis e, depois, nove, que terão consolidado seus processos de autonomia".

Eles afirmam que "chegou a hora de consolidar a autonomia para toda a Bolívia".

Por isso, os governadores pediram ao presidente que reconhecesse os resultados dos referendos e seguisse pelo caminho da reconciliação, que possibilite "um grande acordo nacional para uma saída pacífica da crise estrutural do país".

Políticos da situação e da oposição rejeitaram a posição dos governadores e os convocaram a cumprirem a lei, submetendo-se ao referendo do dia 10 de agosto.

A situação e a oposição aprovaram no Congresso a convocação do referendo. O presidente Evo Morales promulgou a lei, mas agora os governadores se negam a aplicá-la.

Leia mais sobre: Bolívia

    Leia tudo sobre: bolívia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG